[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"grammar-page-pt-colocacao-avancada-dos-cliticos":3,"grammar-exercises-by-page-019f7f71-bc1a-7e0a-aa5b-c620246bbe5d":23},{"id":4,"title":5,"slug":6,"seoDescription":7,"content":8,"language":9,"level":10,"displayOrder":11,"grammarTopics":12,"createdAt":19,"updatedAt":20,"generatorCategories":21,"readyImages":22},"019f7f71-bc1a-7e0a-aa5b-c620246bbe5d","Colocação avançada dos clíticos em orações complexas","colocacao-avancada-dos-cliticos","Aprofunda a colocação dos clíticos em orações complexas do português europeu, incluindo os contextos de próclise e de ênclise, nível C1 avançado.","## Cada oração cria um domínio\n\nNo português europeu contemporâneo, a ênclise é o padrão básico numa oração principal afirmativa: *A diretora entregou-**lhe** o processo*. A próclise surge quando, dentro da mesma oração, existe um elemento que a desencadeia: *A diretora não **lhe** entregou o processo*.\n\nNuma frase complexa, não basta procurar uma palavra atratora em qualquer ponto do período. É necessário identificar a oração a que pertencem o clítico e o verbo.\n\n:::example\n*Quando **me** telefonou, a diretora explicou-**me** a decisão.*\n\nNa subordinada temporal, **quando** desencadeia a próclise: *me telefonou*. Na oração principal afirmativa, esse **quando** já não atua, e temos ênclise: *explicou-me*.\n:::\n\n## Subordinação e relativos\n\nAs orações subordinadas finitas apresentam geralmente próclise. O clítico fica antes do verbo da oração introduzida por uma conjunção, um relativo ou uma palavra interrogativa:\n\n- Disseram **que me enviariam** a ata.\n- Embora **lhe tenham explicado** o procedimento, manteve a dúvida.\n- Este é o relatório **que nos pediram**.\n- Li um artigo **cujo título me surpreendeu**.\n- Não sei **quem te contou** a novidade.\n\nO elemento introdutor pode estar separado do clítico por outros constituintes: *O relatório que ontem **me** enviaram estava incompleto.* A distância linear não elimina a relação dentro da oração.\n\n:::note\nUma data ou um constituinte inicial não é automaticamente um atrator. Em português europeu, dizemos *Em 2025, publicou-**se** o relatório*, se não houver outro elemento que exija próclise.\n:::\n\n## Coordenação: reavaliar a cada verbo\n\nAs conjunções **e** e **mas** não impõem, por si sós, próclise. Cada oração coordenada deve ser analisada de acordo com os seus próprios elementos:\n\n| Estrutura | Colocação |\n| --- | --- |\n| Telefonou-**me** e explicou-**me** o problema. | duas principais afirmativas: ênclise |\n| Telefonou-**me**, mas não **me** deixou mensagem. | a negação desencadeia próclise apenas na segunda oração |\n| Quando **me** telefonou e **me** explicou o problema, percebi tudo. | **quando** enquadra os dois verbos coordenados da subordinada |\n| Disse que **o** analisaria e que **me** responderia. | cada oração introduzida por **que** apresenta próclise |\n\nNão se deve transportar mecanicamente a colocação do primeiro verbo para o segundo. Em *A Marta recebeu-o e não o leu*, a mudança de posição resulta da negação, não da conjunção **e**.\n\n## Infinitivos introduzidos por preposição\n\nEm muitas orações infinitivas simples introduzidas por preposição, o português europeu admite próclise e ênclise:\n\n- Tive dificuldade em **a explicar**. \u002F Tive dificuldade em explicá-**la**.\n- Fez isso para **me ajudar**. \u002F Fez isso para ajudar-**me**.\n- Saiu sem **o cumprimentar**. \u002F Saiu sem cumprimentá-**lo**.\n- Calou-se para não **o magoar**. \u002F Calou-se para não magoá-**lo**.\n\nCom **a** e **com**, a ênclise é o padrão: *Começou a observá-**lo***; *Ficou satisfeito com revê-**la***. Com infinitivo flexionado e sujeito expresso, a próclise é a solução europeia neutra: *Para eles **o fazerem**, precisam de autorização*.\n\n:::tip\nNão aplique aos infinitivos uma lista de atratores pensada apenas para verbos finitos. A preposição, a flexão do infinitivo e a estrutura do complexo verbal condicionam as opções.\n:::\n\n## Complexos verbais e subida do clítico\n\nEm certos complexos, o clítico que funciona como complemento do verbo principal pode ligar-se ao verbo superior. Este fenómeno chama-se **subida do clítico**:\n\n- Vou-**lhe** enviar o ficheiro. — O clítico sobe e liga-se a *vou*.\n- Vou enviar-**lhe** o ficheiro. — O clítico permanece junto do infinitivo.\n\nA possibilidade depende da construção. Compare:\n\n- Passou-**se** a incluir uma nota. \u002F Passou a incluir-**se** uma nota.\n- Acabou de **me** telefonar. \u002F Acabou de telefonar-**me**.\n- O plano passou por dar-**lhe** apoio. \u002F *O plano passou-**lhe** por dar apoio.*\n\nNo último par, **por** bloqueia a subida para o verbo *passou*. O asterisco assinala que a frase não pertence ao padrão descrito.\n\n## Tempos compostos e futuro\n\nNos tempos compostos, o clítico não se liga ao particípio. Liga-se ao auxiliar finito:\n\n- Tenho-**o** visto na biblioteca.\n- Não **o** tenho visto na biblioteca.\n- *Tenho visto-**o** na biblioteca.*\n\nCom o futuro e o condicional numa oração principal afirmativa, a norma tradicional europeia admite a mesóclise: *Dir-**lhe**-ei amanhã*; *Enviar-**lhe**-ia os dados*. Se houver um atrator, surge próclise: *Não **lhe** direi*; *Disse que **lhe** enviaria os dados*.\n\nNa fala e em muitos textos contemporâneos, uma perífrase evita uma forma excessivamente solene: *Vou dizer-**lhe** amanhã*; *Podia enviar-**lhe** os dados*. A formação e o valor estilístico da mesóclise são tratados numa página própria.\n\n:::warning\nNão ligue o clítico ao particípio e não use mesóclise quando já existe um contexto de próclise. Formas como *não dir-lhe-ei* não correspondem ao padrão europeu.\n:::\n\n## Registo e normas pluricêntricas\n\nNo português europeu, contrastes como *telefonou-me* \u002F *não me telefonou* são produtivos na fala e na escrita. No português brasileiro informal, a próclise é muito mais ampla: *Ela me telefonou* e, em muitos contextos orais, *Me telefonaram*. A escrita formal brasileira pode seguir convenções mais conservadoras, mas não reproduz em todos os casos a distribuição europeia.\n\nAs variedades africanas também apresentam distribuições próprias, apesar da influência histórica do padrão europeu na escrita. Por isso, avaliar uma colocação exige saber qual é a variedade, o género textual e o grau de formalidade.\n\nAo rever um texto orientado pelo padrão europeu:\n\n1. delimite cada oração e cada complexo verbal;\n2. localize negação, subordinadores, relativos, interrogativos e focalizadores;\n3. verifique se o clítico pertence ao verbo finito ou ao infinitivo;\n4. confirme se a subida é permitida pela construção;\n5. escolha uma alternativa clara quando duas posições forem possíveis.\n\nA colocação não é decoração estilística: torna visíveis relações entre o clítico, o verbo e a estrutura da frase.","pt","C1",193,[13],{"id":14,"name":5,"level":10,"language":9,"isCompleted":15,"completionPercentage":16,"totalExercises":17,"completedExercises":16,"vocabularyLists":18},"019f7f71-bb19-71bf-b01b-6a1d67816bdc",false,0,2,[],"2026-07-20T12:13:07+00:00","2026-07-20T12:15:37+00:00",[],[],[24,31],{"@id":25,"@type":26,"id":27,"grammarPage":28,"title":29,"instructions":30,"displayOrder":16,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-c56a-74f3-9893-1f8f5b6f38a5","GrammarExercise","019f7f71-c56a-74f3-9893-1f8f5b6f38a5","\u002Fapi\u002Fgrammar_pages\u002F019f7f71-bc1a-7e0a-aa5b-c620246bbe5d","Domínios oracionais e coordenação","Complete as frases segundo o padrão europeu neutro, delimitando a oração a que pertencem o clítico e o verbo.",{"@id":32,"@type":26,"id":33,"grammarPage":28,"title":34,"instructions":35,"displayOrder":36,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-c582-7b5a-816e-970a1aa6310b","019f7f71-c582-7b5a-816e-970a1aa6310b","Infinitivos, complexos verbais e registo","Escolha a colocação adequada; quando o enunciado pede duas variantes, selecione o par integralmente aceite no padrão descrito.",1]