[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"grammar-page-pt-concordancia-por-atracao-e-silepse":3,"grammar-exercises-by-page-019f7f71-bc4b-770e-a716-24e37c2baedc":23},{"id":4,"title":5,"slug":6,"seoDescription":7,"content":8,"language":9,"level":10,"displayOrder":11,"grammarTopics":12,"createdAt":19,"updatedAt":20,"generatorCategories":21,"readyImages":22},"019f7f71-bc4b-770e-a716-24e37c2baedc","Concordância por atração e silepse","concordancia-por-atracao-e-silepse","Explora casos de concordância por atração e silepse em português, quando o verbo ou o adjetivo não repete os traços do núcleo gramatical, nível C2.","## Forma, proximidade e sentido\n\nA concordância canónica copia no verbo, no adjetivo ou no particípio os traços do elemento que a controla. Em **A lista dos candidatos foi publicada**, o núcleo do sujeito é o singular feminino **lista**; o plural **candidatos**, embora esteja mais perto do verbo, não é o controlador.\n\nQuando a concordância se afasta deste padrão, é necessário distinguir três fenómenos:\n\n| Fenómeno | Princípio | Estatuto possível |\n|---|---|---|\n| concordância sintática | segue o núcleo controlador | opção não marcada |\n| concordância por atração | segue o termo mais próximo | construção licenciada em certos contextos ou lapso de processamento |\n| silepse | segue o referente ou a ideia construída | recurso expressivo, alternância limitada ou forma não padrão |\n\nAs fronteiras não são idênticas em todas as gramáticas. *Concordância semântica*, *lógica*, *ad sensum* e *silepse* podem sobrepor-se parcialmente. Uma análise de nível C2 deve, por isso, identificar a estrutura concreta e avaliar o registo, em vez de aplicar um rótulo como se ele resolvesse a aceitabilidade.\n\n## Dois sentidos de atração\n\nNa tradição gramatical, **concordância atrativa** pode designar uma concordância parcial admitida com o elemento mais próximo. Perante nomes coordenados, um adjetivo anteposto ocorre normalmente no singular e concorda com o primeiro:\n\n- **Revelou profunda coragem e discernimento.**\n- **Demonstrou extraordinário rigor e paciência.**\n\nCom o adjetivo posposto, a concordância global é mais transparente: **coragem e discernimento profundos**; **rigor e paciência extraordinários**. A concordância apenas com o nome adjacente encontra-se em certos usos e tradições estilísticas, mas pode criar a impressão de que o adjetivo só modifica esse nome.\n\nNa psicolinguística, **atração** designa antes a interferência de um nome que não controla a concordância:\n\n- **A lista dos candidatos foi publicada.**\n- *A lista dos candidatos foram publicados.*\n\nO asterisco assinala aqui uma forma a evitar na norma monitorizada: o plural próximo invadiu a concordância do verbo e do particípio. Quanto maior for a distância entre o núcleo e o alvo, maior pode ser a pressão do nome interveniente.\n\n:::note\nUma opção atrativa autorizada numa coordenação e um erro de atração dentro de um grupo nominal não são a mesma coisa. O primeiro pertence ao repertório gramatical; o segundo revela uma recuperação incorreta do controlador.\n:::\n\n## Encontrar o verdadeiro controlador\n\nOs complementos introduzidos por **de** são fontes frequentes de atração. Para rever a frase, reduza o grupo nominal ao seu núcleo:\n\n| Grupo completo | Núcleo isolado | Concordância |\n|---|---|---|\n| **O relatório dos peritos** | o relatório | **chegou** |\n| **A descrição das falhas** | a descrição | **parecia incompleta** |\n| **Os efeitos da medida** | os efeitos | **foram avaliados** |\n| **A sucessão de incidentes** | a sucessão | **provocou** atrasos |\n\nEsta redução não se aplica cegamente às expressões partitivas e quantitativas. Em **A maioria dos deputados votou\u002Fvotaram a favor**, o singular e o plural podem corresponder a modos diferentes, mas licenciados, de conceptualizar o conjunto. Não se deve classificar automaticamente o plural como lapso de proximidade.\n\nO diagnóstico combina três perguntas:\n\n1. Qual é o núcleo sintático do sujeito?\n2. A construção admite concordância semântica ou variável?\n3. A mudança de número produz uma interpretação coerente ou apenas copia o nome vizinho?\n\n:::tip\nNa revisão de textos extensos, sublinhe separadamente cada sujeito e o respetivo verbo. A leitura silenciosa tende a mascarar a atração porque o plural interveniente permanece ativo na memória.\n:::\n\n## Orações relativas e níveis de concordância\n\nUma frase pode conter mais de uma relação de concordância. Em **Um dos relatórios que chegaram ontem desapareceu**, há dois alvos:\n\n- **chegaram** concorda com o antecedente plural **relatórios**;\n- **desapareceu** concorda com o núcleo singular **um** do sujeito da oração principal.\n\nÉ precisamente esta alternância plural–singular que favorece lapsos. Em **Foi uma das investigadoras que assinaram o parecer**, a relativa caracteriza o conjunto das investigadoras que assinaram. Se se escrever **a única das investigadoras que assinou**, a estrutura pode selecionar como antecedente **a única**, singular. Não basta, portanto, escolher o nome mais próximo de **que**; é necessário determinar a que constituinte a relativa se liga e que leitura resulta dessa ligação.\n\nCompare ainda **A fotografia dos atletas que foi publicada** com **A fotografia dos atletas que foram premiados**. No primeiro caso, **que** retoma *fotografia*; no segundo, retoma *atletas*. A forma verbal é uma pista da estrutura pretendida, não mera decoração morfológica.\n\n## Silepse de número: o grupo e os seus membros\n\nNa **silepse de número**, uma expressão singular pode ativar uma pluralidade conceptual. A escrita literária encontra sequências como **A multidão avançou pela praça; junto ao palco, começaram a empurrar-se**, nas quais o discurso passa do coletivo para os indivíduos que o compõem. Contudo, nem toda a mudança aparente constitui concordância entre o mesmo sujeito e dois verbos: na segunda oração pode haver um novo sujeito, expresso ou implícito.\n\nÉ útil separar três casos:\n\n| Construção | Análise prudente |\n|---|---|\n| **A maioria dos presentes saiu\u002Fsaíram.** | alternância de concordância licenciada |\n| **A equipa entrou em campo. Começaram a aquecer.** | mudança anafórica: *os jogadores* tornam-se o referente |\n| *A equipa entraram em campo.* | plural não padrão no português europeu monitorizado |\n\nAssim, invocar a silepse não transforma qualquer discordância em recurso estilístico. A distância entre o coletivo e o plural, a existência de uma nova oração e a clareza da passagem dos conjuntos aos membros influenciam a aceitabilidade.\n\n## Silepse de pessoa e inclusão do locutor\n\nNa **silepse de pessoa**, a flexão verbal inclui o locutor ou o interlocutor apesar de o grupo nominal estar formalmente na terceira pessoa. O exemplo tradicional **Os portugueses somos do Ocidente** contém um **nós** conceptual: quem fala inclui-se entre os portugueses.\n\nNo português europeu contemporâneo, esta construção isolada soa geralmente solene, histórica ou deliberadamente retórica. A formulação **Nós, os portugueses, somos do Ocidente** explicita a primeira pessoa e é mais natural. Compare:\n\n:::example\n**Todos conhecemos o custo desta decisão.**\n\nO locutor inclui-se no conjunto delimitado por *todos*; a primeira pessoa do plural é interpretada sem esforço.\n\n**Todos conhecem o custo desta decisão.**\n\nO locutor apresenta o conjunto a partir de fora, ou deixa a inclusão indeterminada.\n:::\n\nEm discursos institucionais, a alternância pode construir pertença e solidariedade. Fora desse enquadramento, uma mudança inesperada de terceira para primeira pessoa pode parecer erro ou produzir ambiguidade.\n\n## Silepse de género e referência humana\n\nAs formas de tratamento oferecem um contexto clássico de concordância pelo referente. O verbo mantém a terceira pessoa exigida pela expressão, mas o predicativo pode refletir o género da pessoa:\n\n- dirigindo-se a um homem: **Vossa Excelência parece preocupado**;\n- dirigindo-se a uma mulher: **Vossa Excelência parece preocupada**.\n\nO nome **Excelência** é feminino nos dois casos; **preocupado\u002Fpreocupada** descreve o referente humano. Certas gramáticas chamam a este padrão **silepse de género**; outras analisam-no como concordância semântica regular de predicativos com expressões de tratamento.\n\nNão se deve generalizar livremente o modelo. Nomes comuns de género fixo, como **a testemunha** ou **a vítima**, mantêm normalmente a concordância gramatical nos determinantes e modificadores: **a testemunha nervosa**, mesmo quando o referente é um homem. Se for essencial tornar o género explícito, reformule: **o homem que testemunhou parecia nervoso**.\n\n:::warning\nO rótulo *silepse* descreve uma relação entre forma e interpretação; não concede licença para ignorar a concordância. Em textos jurídicos, científicos ou administrativos, prefira a construção mais inequívoca, salvo quando a alternativa semântica estiver estabilizada.\n:::\n\n## Registo, variação e revisão final\n\nO estatuto destas concordâncias varia entre géneros textuais, épocas e variedades do português. Uma silepse de pessoa consagrada pela retórica pode soar arcaizante numa conversa atual; padrões coloquiais com coletivos ou com **a gente** não têm a mesma aceitação na escrita monitorizada europeia, brasileira, angolana ou moçambicana. Para descrever outra variedade, são necessários dados dessa comunidade.\n\nAntes de conservar uma discordância aparente, verifique:\n\n1. **Controlador:** que núcleo desencadeia formalmente a concordância?\n2. **Interveniente:** há um nome mais próximo a exercer atração indevida?\n3. **Leitura:** a flexão exprime conjunto, membros, inclusão pessoal ou género do referente?\n4. **Estrutura:** existe realmente um único sujeito ou houve mudança anafórica?\n5. **Registo:** a forma é neutra, literária, retórica, coloquial ou estigmatizada?\n6. **Alternativa:** uma reformulação preserva o efeito e reduz a ambiguidade?\n\nO uso competente não consiste em preferir sempre a forma literal nem em defender toda a concordância pelo sentido. Consiste em saber onde a gramática admite variação, onde o discurso motiva uma silepse e onde a proximidade apenas fez o falante perder de vista o verdadeiro controlador.","pt","C2",248,[13],{"id":14,"name":5,"level":10,"language":9,"isCompleted":15,"completionPercentage":16,"totalExercises":17,"completedExercises":16,"vocabularyLists":18},"019f7f71-bb34-7d9e-86e3-d344083f89a1",false,0,2,[],"2026-07-20T12:13:08+00:00","2026-07-20T12:15:37+00:00",[],[],[24,31],{"@id":25,"@type":26,"id":27,"grammarPage":28,"title":29,"instructions":30,"displayOrder":16,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-c785-7899-a338-05bc8995c112","GrammarExercise","019f7f71-c785-7899-a338-05bc8995c112","\u002Fapi\u002Fgrammar_pages\u002F019f7f71-bc4b-770e-a716-24e37c2baedc","Controladores, atração e relativas","Completa ou analisa cada frase identificando o verdadeiro controlador da concordância; algumas questões têm mais de um espaço.",{"@id":32,"@type":26,"id":33,"grammarPage":28,"title":34,"instructions":35,"displayOrder":36,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-c79f-7078-9d72-87829fef7391","019f7f71-c79f-7078-9d72-87829fef7391","Silepse, referência e registo","Escolhe, em cada espaço, a concordância ou a análise adequada à referência, à estrutura e ao registo; algumas questões têm mais de um espaço.",1]