Construções absolutas com formas não finitas
Estuda as construções absolutas com formas verbais não finitas em português, que têm sujeito próprio e organização interna autónoma, nível B2.
Uma mini-oração com sujeito próprio
Uma construção absoluta contém uma forma verbal não finita e um sujeito próprio, diferente do sujeito da oração principal. Embora acrescente uma circunstância à frase, a sua organização interna é autónoma.
Terminada a reunião, os participantes saíram.
Sujeito da construção absoluta: a reunião.
Sujeito da oração principal: os participantes.
A construção equivale aqui a Depois de a reunião ter terminado. Não significa que os participantes foram “terminados”.
Particípio, gerúndio e infinitivo
As construções absolutas podem organizar-se com diferentes formas não finitas.
| Forma | Construção absoluta | Paráfrase |
|---|---|---|
| particípio | Concluída a votação, o presidente anunciou o resultado. | Depois de a votação ter sido concluída... |
| gerúndio simples | Estando todos presentes, o presidente abriu a sessão. | Como todos estavam presentes... |
| gerúndio composto | Tendo partido o comboio, procurámos um hotel. | Como o comboio já tinha partido... |
| a + infinitivo | A serem corretos os dados, será preciso rever o plano. | Se os dados forem corretos... |
O particípio apresenta frequentemente um resultado; o gerúndio exprime uma situação simultânea, anterior ou causal; a + infinitivo é comum em hipóteses formais.
“Absoluta” não significa que a construção possa funcionar sempre como frase independente. Ela continua semanticamente ligada à oração principal, mas não recebe desta o seu sujeito.
Relações com a oração principal
Tal como outras orações reduzidas, as absolutas podem receber diferentes leituras.
- Terminada a reunião, todos saíram. — tempo: depois de terminar;
- Estando a estrada cortada, voltámos para trás. — causa: porque estava cortada;
- A manterem-se estas condições, o projeto será viável. — condição: se se mantiverem;
- Mesmo concluída a obra, subsistem alguns problemas. — concessão: embora esteja concluída.
O valor depende do contexto. Uma conjunção explícita torna a relação mais transparente quando pode haver dúvida.
Sujeito, ordem e concordância
Nas participiais absolutas, o particípio aparece muitas vezes antes do sujeito e concorda com ele:
- Encerrado o debate, começou a votação.
- Encerrada a sessão, os jornalistas saíram.
- Concluídos os testes, a equipa publicou os resultados.
- Concluídas as entrevistas, iniciou-se a seleção.
Nas gerundivas absolutas do português europeu cuidado, o sujeito expresso também pode seguir a forma verbal: Chegando os convidados, começou o jantar; Tendo chegado os convidados, começou o jantar.
Leia apenas a construção absoluta e pergunte “o que foi concluído?” ou “quem chegou?”. A resposta identifica o sujeito com que deve fazer a concordância.
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Absoluta ou reduzida com sujeito partilhado
As duas construções são compactas, mas a relação dos sujeitos é diferente.
| Sujeito partilhado com a principal | Sujeito próprio: construção absoluta |
|---|---|
| Convidada para a conferência, a investigadora aceitou. | Terminado o debate, a investigadora saiu. |
| Tendo revisto o texto, o autor enviou-o. | Estando a sala vazia, o segurança fechou a porta. |
Na primeira coluna, a investigadora foi convidada e o autor reviu o texto. Na segunda, o debate e a sala são os sujeitos internos; a investigadora e o segurança pertencem apenas à oração principal.
Se o sujeito próprio não estiver claro, a frase pode parecer mal construída. Em vez de Terminando a análise, a decisão foi anunciada, prefira Terminada a análise, a decisão foi anunciada ou Quando a equipa terminou a análise, a decisão foi anunciada.
Pontuação e posição
Anteposta à oração principal, a construção absoluta é seguida de vírgula. Também pode ocorrer no fim, separada por vírgula: Os participantes saíram, terminada a reunião.
No início, a sequência temporal costuma ficar mais clara e a construção funciona como enquadramento. No fim, pode soar mais literária ou acrescentar uma explicação posterior.
Evite inserir uma absoluta longa entre o sujeito e o verbo principal, porque a acumulação de sujeitos pode dificultar a leitura. Uma oração finita é preferível quando há muitos complementos ou mais de uma interpretação possível.
Expressões fixas e escolha de registo
Algumas construções participiais tornaram-se fórmulas de organização do discurso:
- Dito isto, passemos ao ponto seguinte.
- Posto isto, importa decidir.
- Feitas as contas, a solução é demasiado cara.
- Tudo considerado, aceitámos a proposta.
Estas fórmulas são frequentes em registos formais. As absolutas livres também aparecem em textos literários, jurídicos, académicos e jornalísticos; na comunicação corrente, paráfrases com quando, depois de, como ou se costumam ser mais diretas.
Para rever a construção:
- localize a forma não finita;
- identifique o seu sujeito próprio;
- confirme que ele difere do sujeito principal;
- verifique a concordância do particípio ou do infinitivo;
- explicite a relação semântica se houver ambiguidade.
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Last updated August 23, 2026