[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"grammar-page-pt-elipse-e-retomada-em-oracoes-relativas":3,"grammar-exercises-by-page-019f7f71-bcc9-7a27-beb4-fdbbb51a7c04":23},{"id":4,"title":5,"slug":6,"seoDescription":7,"content":8,"language":9,"level":10,"displayOrder":11,"grammarTopics":12,"createdAt":19,"updatedAt":20,"generatorCategories":21,"readyImages":22},"019f7f71-bcc9-7a27-beb4-fdbbb51a7c04","Elipse e retomada em orações relativas","elipse-e-retomada-em-oracoes-relativas","Explora, em nível C2, as estratégias que o português usa para retomar, numa oração relativa, a posição que exige preposição na fala e na escrita.","## Comparar três estratégias de relativização\n\nUma oração relativa liga um antecedente a uma posição interna. Quando essa posição exige preposição, o português dispõe de estratégias diferentes na fala e na escrita.\n\n| Estratégia | Exemplo | O que aparece na posição interna |\n| --- | --- | --- |\n| padrão com lacuna | a colega **com quem falei __** | uma lacuna ligada a **com quem** |\n| cortadora | a colega **que falei __** | lacuna sem a preposição esperada |\n| resumptiva | a colega **que falei com ela** | pronome forte com a preposição |\n\nO traço **__** serve apenas para mostrar o lugar interpretado; não se escreve na frase. Na estratégia padrão, **com quem** representa o complemento de *falei*. Na cortadora, a preposição **com** não é expressa. Na resumptiva, *com ela* retoma o antecedente dentro da oração.\n\n:::note\nUma relativa cortadora e uma resumptiva não são lapsos aleatórios. São estratégias documentadas no uso, com distribuição própria. Isso não significa que tenham o mesmo estatuto da relativa padrão em todos os géneros.\n:::\n\n## Distinguir lacuna de elipse\n\nNa relativa padrão, a lacuna corresponde à função representada pelo elemento relativo:\n\n- a pessoa **que __ chegou** — sujeito;\n- o relatório **que revimos __** — complemento direto;\n- a investigadora **com quem trabalhámos __** — complemento de *trabalhar com*;\n- o tema **sobre o qual escreveste __** — complemento preposicionado.\n\nA lacuna faz parte da dependência relativa; não é simplesmente material repetido que se decidiu omitir. Por isso, a oração finita continua a precisar de um marcador relativo. *O relatório revi ontem* é uma oração principal com ordem marcada, não a versão elíptica de *o relatório que revi ontem*.\n\nJá numa elipse discursiva, uma expressão anteriormente disponível pode ficar sem realização fonética:\n\n> Há quem concorde e quem não **[concorde]**.\n\nO segundo predicado é recuperado por paralelismo. Os parênteses retos mostram a reconstrução para fins de análise; não pertencem ao texto final.\n\n:::tip\nPergunta se a ausência cria a ligação ao antecedente ou se recupera palavras ditas numa estrutura paralela. No primeiro caso, tens uma lacuna relativa; no segundo, pode haver elipse.\n:::\n\n## Interpretar a retomada pronominal\n\nNa relativa resumptiva, o pronome ou expressão anafórica ocupa uma posição interna e aponta para o antecedente:\n\n- *a pessoa que eu falei **com ela***;\n- *o assunto que ainda não pensei **nele***;\n- *uma proposta que ninguém sabia se a direção concordaria **com ela***.\n\nA retoma torna local uma relação que pode ser difícil de manter, sobretudo quando a relativa é longa, contém encaixes ou foi construída durante fala espontânea. Também pode manter um tópico ativo ou reparar uma frase já iniciada.\n\nContudo, a complexidade não explica todas as ocorrências. Estudos de fala europeia e brasileira encontram resumptivas também em estruturas simples, com frequências condicionadas pelo tipo de complemento, pelo antecedente e pela comunidade.\n\nNa escrita formal orientada pelo padrão europeu, preferem-se geralmente:\n\n- *a pessoa **com quem falei***;\n- *o assunto **em que ainda não pensei***;\n- *uma proposta **com a qual ninguém sabia se a direção concordaria***.\n\n:::warning\nNão mantenhas simultaneamente uma ligação relativa completa e uma segunda retoma sem função: *a pessoa **com quem** falei **com ela***, *o autor **cujo** livro **dele** li*. **Com quem** e **cujo** já representam as relações internas relevantes.\n:::\n\n## Reconhecer a relativa cortadora\n\nNa estratégia **cortadora**, o relativo geral **que** introduz a oração e a preposição selecionada não aparece:\n\n| Cortadora | Relação recuperada | Forma padrão formal |\n| --- | --- | --- |\n| o livro **que gosto** | gostar **de** | o livro **de que gosto** |\n| a colega **que trabalhei** | trabalhar **com** | a colega **com quem trabalhei** |\n| a cidade **que vivemos** | viver **em** | a cidade **em que vivemos** |\n| o dia **que chegaram** | chegar **em\u002Fno** dia | o dia **em que chegaram** |\n\nA interpretação apoia-se no verbo, no antecedente e no contexto. Quando há mais de uma relação possível, a omissão aumenta a ambiguidade: *o professor que falei* pode exigir que o leitor reconstrua rapidamente *com quem falei*.\n\nAs cortadoras estão documentadas no português europeu falado, tanto em relativas restritivas como explicativas e com diferentes tipos de preposição. Também são produtivas no português brasileiro, com distribuições e avaliações próprias. Num texto formal de referência, a preposição diante do relativo continua a ser a opção esperada.\n\nNão se trata de deixar a preposição no fim, como pode acontecer em inglês. *A pessoa que falei com* não pertence ao padrão português descrito; usa-se *com quem falei* ou, numa estratégia resumptiva, *que falei com ela*.\n\n## Recuperar material dentro da relativa\n\nA elipse pode ocorrer no interior de relativas coordenadas quando o conteúdo omitido é inequivocamente recuperável.\n\n| Frase | Material recuperado |\n| --- | --- |\n| Há quem concorde e quem não **[concorde]**. | verbo da primeira relativa livre |\n| Escolhi as propostas que eram claras, não as que não **[eram claras]**. | predicado nominal |\n| Uns entregaram o que deviam; outros, apenas o que podiam **[entregar]**. | infinitivo selecionado pelo modal |\n| Estas são as medidas que a equipa apoiou e a direção não **[apoiou]**. | verbo na segunda oração coordenada, com polaridade oposta |\n\nA negação, o tempo e a modalidade têm de continuar interpretáveis. Em *os artigos que a Ana pode rever e os que o Rui não*, pode recuperar-se *pode rever* ou apenas *rever*, consoante o contexto. Se as leituras produzirem compromissos diferentes, repõe o verbo.\n\n:::example\n*Há candidatos que podem entregar hoje e outros que só amanhã.*\n\nA frase pode omitir *podem entregar*. O advérbio **só** e o contraste **hoje\u002Famanhã** tornam a reconstrução natural. Se o segundo grupo tiver outra obrigação — por exemplo, *só podem pagar amanhã* —, a elipse deixa de ser segura.\n:::\n\n## Coordenar uma ou várias lacunas\n\nUm antecedente pode relacionar-se com mais de uma posição em estruturas coordenadas:\n\n- *o relatório que **li __ e resumi __*** — dois verbos coordenados partilham o mesmo antecedente;\n- *o relatório que **eu li __** e **a Ana resumiu __*** — duas orações coordenadas contêm lacunas paralelas;\n- *o relatório que **eu li __** e **que a Ana resumiu __*** — a repetição de **que** torna a fronteira entre relativas mais visível.\n\nAs funções devem ser compatíveis. Em *a pessoa que admiro __ e confio __*, o primeiro verbo seleciona complemento direto, mas *confiar* exige **em**. A coordenação encobre a diferença. Reformula:\n\n- *a pessoa **que admiro e em quem confio***;\n- *a pessoa **que admiro e na qual deposito confiança***.\n\nUma combinação de lacuna e retoma — *o tema que estudámos __ e depois escrevemos sobre ele* — pode ocorrer no discurso, mas perde paralelismo. Num texto planeado, *o tema que estudámos e sobre o qual depois escrevemos* torna as duas relações explícitas.\n\n## Evitar retomas aparentes\n\nNem todo elemento anafórico dentro de uma relativa é um pronome resumptivo.\n\n| Exemplo | Análise |\n| --- | --- |\n| O prazo terminou, **o que** criou problemas. | **o que** retoma toda a oração anterior. |\n| Conheci a autora, **que ela própria** apresentou o livro. | **ela própria** pode ter valor enfático; a construção exige análise de ordem e variedade. |\n| A cidade **onde lá nasci** mudou muito. | **onde** e **lá** duplicam a relação locativa no padrão formal. |\n| O autor **cujo livro li** chegou. | **cujo** codifica o possuidor; não é preciso *dele*. |\n\nUma expressão como **ele próprio** pode acrescentar contraste — *foi ele, não um assistente* — e não apenas copiar o antecedente. Para decidir, testa se a forma tem função enfática independente ou se serve unicamente para preencher a posição relativizada.\n\nNa fala, **onde lá** ou **que… nele** podem funcionar como reforço ou reparação. Na escrita formal, a duplicação deve ser conservada apenas se tiver efeito discursivo claro.\n\n## Avaliar aceitabilidade e voz\n\nA aceitabilidade destas estruturas é gradual e pluricêntrica:\n\n- a relativa padrão com preposição é a escolha de referência na escrita formal europeia;\n- cortadoras e resumptivas estão documentadas na fala europeia, mas não têm distribuição idêntica;\n- no português brasileiro, a cortadora é muito produtiva em muitos contextos; a resumptiva também existe, embora estudos recentes a encontrem com frequência baixa em certos grupos muito escolarizados;\n- variedades africanas e contextos de contacto exigem descrição própria, não uma projeção automática do português europeu ou brasileiro;\n- na literatura, uma estrutura não padrão pode representar oralidade, ritmo, reparação ou identidade social.\n\nEvita associar diretamente uma estratégia a falta de escolaridade. O mesmo falante pode usar uma cortadora numa conversa e uma relativa preposicionada num artigo. A alternância revela domínio de géneros, não necessariamente desconhecimento de uma regra.\n\nAo editar uma relativa:\n\n1. identifica o antecedente e a função interna que ele representa;\n2. reconstrói a regência do verbo, nome ou adjetivo;\n3. distingue lacuna relativa, preposição cortada e pronome resumptivo;\n4. verifica se uma elipse preserva tempo, negação e modalidade;\n5. mantém paralelas as funções em estruturas coordenadas;\n6. elimina duplicações que **quem**, **onde** ou **cujo** já tornam explícitas;\n7. considera variedade, modalidade, género e intenção literária;\n8. preserva em citação aquilo que caracteriza a voz da fonte.\n\nUma análise de C2 não transforma toda ausência em erro nem toda retoma em redundância. Reconstrói a dependência e pergunta **que estratégia tornou o antecedente interpretável dentro da relativa**.","pt","C2",250,[13],{"id":14,"name":5,"level":10,"language":9,"isCompleted":15,"completionPercentage":16,"totalExercises":17,"completedExercises":16,"vocabularyLists":18},"019f7f71-bb36-7926-b421-0461fff0d5aa",false,0,2,[],"2026-07-20T12:13:08+00:00","2026-07-20T12:15:37+00:00",[],[],[24,31],{"@id":25,"@type":26,"id":27,"grammarPage":28,"title":29,"instructions":30,"displayOrder":16,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-cdc8-7c41-8705-8a9cc53cc1bb","GrammarExercise","019f7f71-cdc8-7c41-8705-8a9cc53cc1bb","\u002Fapi\u002Fgrammar_pages\u002F019f7f71-bcc9-7a27-beb4-fdbbb51a7c04","Distinguir lacuna, cortadora e retoma","Classifica estratégias de relativização, reconstrói a função interna e escolhe formas adequadas à escrita formal.",{"@id":32,"@type":26,"id":33,"grammarPage":28,"title":34,"instructions":35,"displayOrder":36,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-cdf2-7d3e-b63d-dd7145a0f94d","019f7f71-cdf2-7d3e-b63d-dd7145a0f94d","Coordenar, recuperar e rever","Avalia ambiguidades, recupera material elidido e revê paralelismo, duplicações, registo e voz.",1]