[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"grammar-page-pt-escalas-de-obrigacao-possibilidade-e-evidencia":3,"grammar-exercises-by-page-019f7f71-bcd1-73c5-848f-28463b233408":23},{"id":4,"title":5,"slug":6,"seoDescription":7,"content":8,"language":9,"level":10,"displayOrder":11,"grammarTopics":12,"createdAt":19,"updatedAt":20,"generatorCategories":21,"readyImages":22},"019f7f71-bcd1-73c5-848f-28463b233408","Escalas de obrigação, possibilidade e evidência","escalas-de-obrigacao-possibilidade-e-evidencia","Distingue normas, graus de certeza e fontes de informação para exprimir obrigação, possibilidade e evidência com precisão em português.","## Três perguntas diferentes\n\nA modalidade mostra a posição de quem fala perante uma situação. Para a analisar, convém separar **normas**, **graus de certeza** e **fontes de informação**.\n\n| Domínio | Pergunta central | Exemplo |\n|---|---|---|\n| modalidade deôntica | o que é obrigatório, permitido ou proibido? | *A equipa tem de entregar o relatório.* |\n| modalidade epistémica | quão provável é a situação? | *A equipa deve estar a terminar o relatório.* |\n| evidencialidade | em que fonte ou indício se baseia a informação? | *Segundo a coordenadora, a equipa já terminou.* |\n\nUma fonte direta não garante certeza absoluta, e uma inferência indireta pode ser muito forte. Por isso, **evidência** e **confiança** devem ser avaliadas em escalas separadas.\n\n:::tip\nAo encontrar *dever* ou *poder*, não atribua imediatamente uma categoria. Pergunte se a frase regula uma ação, estima a sua probabilidade ou descreve a capacidade de alguém.\n:::\n\n## Da obrigação à opção\n\nA força de uma formulação deôntica depende da expressão, do género textual e de quem tem autoridade para estabelecer a norma.\n\n| Força pretendida | Formulações possíveis | Exemplo |\n|---|---|---|\n| obrigação explícita | *é obrigatório, tem de, é necessário* | *O candidato tem de apresentar identificação.* |\n| dever normativo | *deve* | *O formulário deve ser assinado.* |\n| recomendação | *deveria, convém, é aconselhável* | *Convém guardar uma cópia.* |\n| permissão | *pode, é permitido* | *Pode consultar as notas.* |\n| ausência de obrigação | *não tem de, não é necessário* | *Não tem de imprimir o documento.* |\n| proibição | *não pode, é proibido* | *Não pode entrar nesta área.* |\n\nEm leis, regulamentos e normas, **deve** pode ter força obrigatória porque o próprio género lhe dá esse valor. Numa conversa, *devias descansar* é normalmente um conselho. Se a distinção tiver consequências práticas, prefira *é obrigatório*, *é permitido* ou *é proibido*.\n\nNo português europeu, **ter de** é muito frequente para necessidade externa ou prática: *Tenho de renovar o passe*. **Ter que** também ocorre, com distribuição variável entre registos e variedades.\n\n:::warning\nNão use uma escala de cortesia como se fosse uma escala jurídica. *Deveria enviar o pedido* pode suavizar uma recomendação, mas é inadequado para comunicar uma obrigação cujo incumprimento tem consequências.\n:::\n\n## Da possibilidade à forte probabilidade\n\nNa modalidade epistémica, o falante calibra o compromisso com a verdade da proposição. As expressões abaixo formam tendências, não percentagens fixas.\n\n| Grau aproximado | Recursos | Exemplo |\n|---|---|---|\n| certeza apresentada | *é certo, sem dúvida, certamente* | *É certo que a sessão começa às nove.* |\n| forte probabilidade | *deve, é muito provável* | *A sessão deve começar às nove.* |\n| probabilidade | *provavelmente, é provável* | *É provável que comece às nove.* |\n| possibilidade | *pode, é possível, talvez* | *A sessão pode começar às nove.* |\n| impossibilidade | *não pode, é impossível* | *É impossível que comece antes das oito.* |\n\nO padrão modal influencia o modo verbal: *É certo que a sessão começa* apresenta o conteúdo como assumido; *É provável que a sessão comece* e *É possível que comece* selecionam o subjuntivo. Com negação, *Não é certo que comece às nove* retira a certeza e favorece igualmente o subjuntivo.\n\nPara uma hipótese passada, o infinitivo composto localiza a situação antes do presente: *Ele pode ter saído* exprime possibilidade; *Ele deve ter saído* exprime inferência provável. O pretérito de *dever* não produz normalmente a mesma leitura epistémica: *deveu sair* tende a ser evitado nesse sentido.\n\n## Indicar a base da informação\n\nO português não obriga cada frase a marcar gramaticalmente a origem da informação, mas dispõe de muitos recursos evidenciais.\n\n| Base da informação | Recursos | Exemplo |\n|---|---|---|\n| observação direta | *vi, ouvi, constatei* | *Vi que a porta estava aberta.* |\n| relato atribuído | *segundo, de acordo com, afirmou que* | *Segundo o relatório, houve uma falha.* |\n| informação não confirmada | *alegadamente, ao que consta* | *O acordo teria sido assinado.* |\n| inferência por indícios | *pelos sinais, ao que tudo indica, dever* | *As luzes estão apagadas; devem ter saído.* |\n| aparência | *aparentemente, parece que* | *Aparentemente, o sistema voltou a funcionar.* |\n\nO futuro pode marcar conjetura: *A esta hora, já terão chegado*. O condicional ocorre em relatos não confirmados: *O ministro teria apresentado a demissão*. Estas formas não dispensam a identificação da fonte num texto jornalístico ou profissional.\n\n:::example\n> **Segundo a proteção civil**, o incêndio está dominado.\n>\n> **Pela ausência de fumo**, o incêndio deve estar dominado.\n\nA primeira frase atribui a informação a uma entidade; a segunda apresenta uma inferência. Ambas podem transmitir confiança elevada, mas assentam em tipos de evidência diferentes.\n:::\n\n## Negação e alcance modal\n\nCom verbos modais, mudar a posição da negação pode transformar obrigação em opção ou possibilidade em proibição.\n\n| Frase | Leitura principal |\n|---|---|\n| *Tem de entrar.* | a entrada é obrigatória |\n| *Não tem de entrar.* | a entrada não é obrigatória |\n| *Não pode entrar.* | a entrada é proibida ou impossível |\n| *Pode não entrar.* | é possível ou permitido que não entre |\n| *Não deve entrar.* | recomenda-se ou determina-se que não entre, ou é provável que não entre |\n| *É obrigatório não entrar.* | existe obrigação explícita de ficar fora |\n\n*Não tem de entrar* não significa *tem de não entrar*. A primeira frase elimina a obrigação; a segunda, pouco natural, colocaria a negação dentro do conteúdo obrigatório. Para uma regra clara, escreva *É proibido entrar*.\n\nTambém há diferença entre *não é provável que venha* e *é provável que não venha*. A primeira rejeita uma previsão positiva; a segunda apresenta a ausência como previsão provável. Em muitos contextos, aproximam-se, mas o foco argumentativo não é idêntico.\n\n## Calibrar a linguagem ao género\n\nUma formulação adequada torna explícitos o grau de força e a base da afirmação.\n\n- em regulamentos, distinga *obrigatório*, *facultativo* e *proibido*;\n- em textos académicos, reserve *demonstra* para provas fortes e use *sugere* ou *indica* quando os dados são limitados;\n- em notícias, atribua alegações e não use o condicional como substituto de uma fonte;\n- em pareceres, separe o que foi observado do que foi inferido;\n- na conversa informal europeia, *se calhar* marca possibilidade, mas pode ser inadequado num relatório.\n\nAntes de concluir, verifique:\n\n1. se a frase regula uma conduta ou avalia uma probabilidade;\n2. quem estabelece a obrigação e que autoridade possui;\n3. se *dever* significa dever normativo ou inferência;\n4. se a negação incide no modal ou no conteúdo;\n5. qual é a fonte e se está claramente atribuída;\n6. se o verbo escolhido corresponde à força real das provas.\n\nEm síntese, obrigação, possibilidade e evidência não formam uma única escala. Uma comunicação rigorosa indica separadamente **o que se exige**, **quão provável é** e **como se sabe**.","pt","C1",209,[13],{"id":14,"name":5,"level":10,"language":9,"isCompleted":15,"completionPercentage":16,"totalExercises":17,"completedExercises":16,"vocabularyLists":18},"019f7f71-bb21-7752-8a0e-1e15d0192881",false,0,2,[],"2026-07-20T12:13:08+00:00","2026-07-20T12:15:37+00:00",[],[],[24,31],{"@id":25,"@type":26,"id":27,"grammarPage":28,"title":29,"instructions":30,"displayOrder":16,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-ce5b-790e-a23a-afa6ef98bfef","GrammarExercise","019f7f71-ce5b-790e-a23a-afa6ef98bfef","\u002Fapi\u002Fgrammar_pages\u002F019f7f71-bcd1-73c5-848f-28463b233408","Da obrigação à probabilidade","Completa cada análise de acordo com o sentido e o género indicados. 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