B2 · Upper IntermediateLesson 2 of 3

Frases clivadas com é que

Aprende a usar a construção clivada com é que para destacar um elemento da frase e responder implicitamente a perguntas como quem ou o quê.

By the flumi team About 6 min read Percurso de gramática: Tópico, foco e ordem marcada

Destacar uma alternativa

Uma construção clivada divide a informação para destacar um constituinte. A frase neutra A Rita comprou o vestido na feira permite vários focos.

Foco Construção clivada
quem comprou Foi a Rita que comprou o vestido.
o que comprou Foi o vestido que a Rita comprou.
onde comprou Foi na feira que a Rita comprou o vestido.
contraste com outros sujeitos A Rita é que comprou o vestido.

Usa a clivagem para responder implicitamente a uma pergunta como quem?, o quê?, onde? ou quando?, ou para corrigir uma alternativa anterior.

A construção X é que

Em X + é que + oração, o bloco é que é invariável.

  • Eu é que organizei a reunião.
  • Nós é que preparámos os documentos.
  • Os técnicos é que resolveram o problema.
  • Ontem é que recebemos a confirmação.
  • Assim é que se faz.

Não faças é concordar com o elemento destacado: diz Nós é que sabemos, e não nós somos que sabemos. O verbo principal, porém, concorda normalmente com o sujeito: nós sabemos.

Esta construção é muito corrente no português europeu falado e escrito. No português do Brasil, é que também é corrente, sobretudo nas interrogativas; não é, portanto, um traço exclusivo do português europeu.

Foi X que e a concordância

Na clivada formada por ser + X + que, o verbo ser pode marcar tempo e concordar com um foco nominal.

Presente: É a Ana que trata dos pagamentos.

Passado: Foi a Ana que tratou do pagamento.

Plural: Foram os técnicos que repararam o equipamento.

Com expressões de tempo ou lugar, usa-se normalmente o singular: Foi ontem que soubemos; É nesta sala que decorrem as reuniões.

Compara Nós é que preparámos tudo, com é que invariável, e Fomos nós que preparámos tudo, com o verbo ser flexionado.

Com foco de primeira ou segunda pessoa, ser e o verbo da oração acompanham a pessoa destacada: Fui eu que fiz; Foste tu que ligaste; Fomos nós que decidimos.

Na fala familiar, também se ouve Foi eles que decidiram. Na norma-padrão, prefere-se Foram eles que decidiram, com concordância no plural.

Que ou quem com foco humano

Com pessoas, que é invariável e é a opção mais corrente: Foi a Rita que comprou o vestido; Foi ao Rui que entreguei a chave. Quem só se refere a seres humanos e tem um tom mais cuidado: Foi a Rita quem comprou o vestido; Foi o Rui a quem entreguei a chave. Com quem, a preposição aparece uma só vez: a quem, e não ao Rui a quem.

Com quem, o verbo pode ficar na terceira pessoa do singular ou concordar com a pessoa destacada: Fui eu quem fez / Fui eu quem fiz; Fomos nós quem decidiu / Fomos nós quem decidimos.

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Uma frase clivada divide a informação para destacar .

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Manter a preposição

O constituinte focalizado conserva a preposição exigida pela frase de base.

  • Falei com a MartaFoi com a Marta que falei.
  • Entreguei a chave ao RuiFoi ao Rui que entreguei a chave.
  • Precisamos deste documentoÉ deste documento que precisamos.
  • Trabalhamos melhor de manhãÉ de manhã que trabalhamos melhor.

Também é possível usar X é que: Com a Marta é que tens de falar; Deste documento é que precisamos.

É que nas perguntas

As interrogativas com é que são frequentes em Portugal e no Brasil e não exigem inversão do sujeito.

Pergunta direta Pergunta com é que
Quem telefonou? Quem é que telefonou?
O que compraste? O que é que compraste?
Onde mora a Ana? Onde é que a Ana mora?
Com quem falaste? Com quem é que falaste?
Quando começa o filme? Quando é que começa o filme?
Porque chegaste tarde? Porque é que chegaste tarde?

O elemento interrogativo fornece o foco; é que reforça a estrutura da pergunta sem alterar a função sintática.

Em Porque é que chegaste tarde?, escreve-se porque. Escreve-se por que quando a expressão equivale a por que razão: Por que motivo saíste cedo? Porquê é tónico e pode aparecer sozinho ou no fim: Porquê? / Chegaste tarde porquê? Com artigo, é um nome: Não sei o porquê da demora.

No português europeu, A Rita é que comprou é mais coloquial do que Foi a Rita que comprou. Nas perguntas, a forma sem é queOnde mora a Ana? — é mais habitual na escrita cuidada; Onde é que a Ana mora? é muito natural na conversa.

Negação, pontuação e pseudoclivada

A posição da negação muda o contraste:

  • Não foi a Marta que ligou; foi a Ana. — corrige a identidade de quem ligou.
  • A Marta é que não ligou. — entre todas, a Marta não ligou e as outras pessoas ligaram.

Não se coloca normalmente vírgula entre o foco e que: Foi ontem que chegaram, não foi ontem, que chegaram.

Em Não fui à reunião. É que estava doente, é que introduz uma explicação e não destaca um constituinte. Esta é uma ligação discursiva, não uma frase clivada.

Uma pseudoclivada começa por uma oração relativa e coloca o foco depois de ser: O que a Rita comprou foi o vestido; Quem comprou o vestido foi a Rita. Compara com a clivada Foi o vestido que a Rita comprou: as duas destacam o vestido, mas organizam a informação em ordem diferente.

Para verificar uma clivada, tenta recuperar uma frase simples com o mesmo conteúdo. Foi na feira que a Rita comprou o vestido corresponde a A Rita comprou o vestido na feira, com na feira em foco.

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Last updated August 23, 2026