[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"grammar-page-pt-gerundio-e-infinitivo-em-construcoes-nao-canonicas":3,"grammar-exercises-by-page-019f7f71-bd41-7029-9a53-d4a811d5b4e4":23},{"id":4,"title":5,"slug":6,"seoDescription":7,"content":8,"language":9,"level":10,"displayOrder":11,"grammarTopics":12,"createdAt":19,"updatedAt":20,"generatorCategories":21,"readyImages":22},"019f7f71-bd41-7029-9a53-d4a811d5b4e4","Gerúndio e infinitivo em construções não canónicas","gerundio-e-infinitivo-em-construcoes-nao-canonicas","Explora usos do infinitivo e do gerúndio em construções não canónicas, marcadas pelo registo ou próprias de contextos históricos e regionais.","## Não canónico não significa aleatório\n\nO infinitivo e o gerúndio surgem em construções que não correspondem ao modelo mais simples de subordinação. Algumas pertencem ao padrão, mas são marcadas pelo registo; outras são históricas, regionais ou próprias de uma variedade.\n\n| Construção | Exemplo | Fator que a legitima |\n|---|---|---|\n| infinitivo diretivo | ***Não fumar.*** | instrução com destinatário implícito |\n| infinitivo deliberativo | ***Aceitar** já?* | pergunta dependente da situação |\n| infinitivo exclamativo | ***Tu dizeres** isso!* | avaliação modal e sujeito expresso |\n| **em** + gerúndio | ***Em chegando** a casa, telefono.* | enquadramento temporal marcado |\n| gerúndio flexionado dialetal | ***Em eles chegandem**, jantamos.* | concordância numa gramática regional |\n\nO termo **não canónico** descreve o afastamento de um padrão de referência. Não autoriza a juntar formas de variedades diferentes nem a corrigi-las sem localizar o uso.\n\n## Infinitivos que funcionam como enunciados\n\nEm placas, receitas e instruções, o infinitivo impessoal pode realizar uma ordem:\n\n- **Agitar** antes de usar.\n- **Não ultrapassar** a linha amarela.\n- Meninos, **sair** imediatamente da sala.\n\nMesmo quando o destinatário é plural, a forma diretiva permanece não flexionada. ***Meninos, saírem*** não é a versão plural do mesmo imperativo. O infinitivo apresenta a ação a cumprir; o contexto identifica quem a deve realizar.\n\nEm perguntas deliberativas, o falante avalia uma ação futura: ***Telefonar** agora ou **esperar** até amanhã?*; *Como **responder** sem confirmar os dados?* O sujeito costuma ser o falante ou um participante acessível, mas não está expresso gramaticalmente.\n\n:::note\nEstes infinitivos parecem independentes, mas dependem fortemente do género textual, da entoação e da situação. Uma sequência como **Entregar o formulário** é uma instrução num aviso, uma entrada numa lista de tarefas e apenas um fragmento noutro contexto.\n:::\n\n## Exclamações com infinitivo pessoal\n\nO infinitivo flexionado pode ocorrer com sujeito lexical em exclamações de surpresa, censura ou admiração:\n\n:::example\n***Tu fazeres-me** isso na véspera da viagem!*\n\nA frase não afirma simplesmente *tu fizeste-me isso*. Apresenta o acontecimento como incompatível com uma expectativa do falante. O tempo passado e a atitude de censura vêm do contexto e da entoação.\n:::\n\nCompara:\n\n- ***Eles chegarem** antes de nós!* — surpresa perante o acontecimento;\n- ***Eu acreditar** numa história dessas!* — rejeição ou espanto; a 1.ª e a 3.ª pessoas do singular não têm terminação visível;\n- ***Nós aceitarmos** estas condições!* — incredulidade ou recusa enfática;\n- ***E tu a dizeres** que não tens tempo!* — construção exclamativa com **a + infinitivo pessoal**, particularmente natural em PE.\n\nNão se trata de uma declaração neutra sem verbo finito. A modalidade exclamativa licencia a estrutura e orienta a referência temporal.\n\n## Depois de verbos de perceção\n\nCom **ver, ouvir, sentir**, diferentes formas apresentam perspetivas aspetuais distintas.\n\n| Construção | Leitura favorecida |\n|---|---|\n| *Vi a Ana **atravessar** a rua.* | evento apreendido como unidade |\n| *Vi a Ana **a atravessar** a rua.* | fase em curso; muito produtiva em PE |\n| *Vi a Ana **atravessando** a rua.* | fase em curso; produtiva em PB e possível noutros usos |\n\nO grupo **a Ana** é objeto de *vi* e participante de *atravessar*. Estas são construções predicativas selecionadas pelo verbo, não orações absolutas. A diferença entre infinitivo simples e forma progressiva pode desaparecer em certos contextos, mas não deve ser pressuposta.\n\n:::warning\nEm *Vi o diretor saindo do edifício*, a variedade e o contexto podem favorecer “vi o diretor quando ele saía”; também pode surgir uma ligação ambígua ao observador. Se a identidade de quem sai for decisiva, desenvolve a oração.\n:::\n\n## Preposições e seleção da forma\n\nNo português de referência, várias preposições selecionam normalmente o infinitivo: **ao chegar, antes de sair, sem responder, por insistir**. A substituição pelo gerúndio não é livre: *sem respondendo* não equivale a **sem responder**.\n\nO gerúndio adverbial pode ser precedido por **em**, numa construção hoje rara ou marcada em muitos registos:\n\n- ***Em chegando** a primavera, reabrimos a casa.* — quando chegar \u002F logo que chegue;\n- ***Em sendo** necessário, voltaremos a reunir.* — se for necessário;\n- ***Em querendo** ele colaborar, haverá acordo.* — se ele quiser colaborar.\n\n**Em + gerúndio** pode enquadrar tempo, condição ou hipótese. Não é uma alternativa automaticamente mais antiga ou mais elegante a **ao + infinitivo**; a naturalidade varia com tradição textual e região.\n\n:::tip\nSe encontrares preposição + forma não finita, identifica primeiro o constituinte selecionado. Em *com a equipa a trabalhar \u002F com a equipe trabalhando*, **com** introduz uma pequena oração inteira; não substitui simplesmente **em** diante do gerúndio.\n:::\n\n## Pequenas orações e padrões pluricêntricos\n\nUma construção com **com** pode apresentar um cenário cujo sujeito é expresso:\n\n| PE de referência | PB de referência | Valor |\n|---|---|---|\n| *Com os técnicos **a rever** os dados, o prazo é curto.* | *Com os técnicos **revendo** os dados, o prazo é curto.* | processo simultâneo |\n| *A Marta ficou **a olhar** para o ecrã.* | *Marta ficou **olhando** para a tela.* | estado ou atividade prolongada |\n| *A procura continua **a crescer***. | *A procura continua **crescendo***. | continuidade gradual |\n\nEstas correspondências são tendências, não traduções palavra por palavra. **Começou a trabalhar** marca o início da atividade; no PB, **começou trabalhando no arquivo** pode significar “começou por trabalhar no arquivo”, isto é, primeira etapa de uma sequência.\n\nAs variedades africanas e asiáticas do português têm distribuições próprias, influenciadas por história, contacto e registo. Não devem ser colocadas num eixo simples entre PE e PB sem dados locais.\n\n## Gerúndios com concordância regional\n\nNa variedade de referência, o gerúndio não se flexiona: **chegando eu, chegando nós, chegando eles**. Contudo, corpora dialetais registam gerúndios com marcas de pessoa em variedades meridionais e insulares de Portugal, por analogia com o infinitivo pessoal:\n\n- **em tu querendos**;\n- **nós chegândomos**;\n- **em eles chegandem**.\n\nEstas formas pertencem a sistemas regionais e surgem sobretudo em contextos gerundivos específicos. Não são gralhas nem flexões previstas pelo padrão escrito geral. Também não se deve concluir que todo o Sul ou todas as ilhas usam o mesmo paradigma.\n\nHistoricamente, a ordem do sujeito nas gerundivas e a presença de conectores mudaram. Uma forma dialetal contemporânea pode conservar ou reorganizar material antigo, mas não é uma reprodução intacta do português medieval.\n\n## Diagnosticar antes de normalizar\n\nAo analisar uma construção marcada:\n\n1. determina se o infinitivo realiza ordem, pergunta, exclamação ou subordinação;\n2. identifica o sujeito, mesmo quando é apenas contextual;\n3. verifica se há flexão pessoal e o que ela sinaliza;\n4. distingue predicação selecionada de oração adverbial;\n5. testa o valor aspetual do infinitivo e do gerúndio;\n6. localiza variedade, região, época e género textual;\n7. não converte automaticamente **em + gerúndio** em progressivo;\n8. normaliza apenas de acordo com o público e o objetivo editorial.\n\nUma análise C2 pergunta não só “esta forma existe?”, mas **que estrutura a licencia, em que gramática ocorre e que leitura deixa de existir quando a substituímos**.","pt","C2",237,[13],{"id":14,"name":5,"level":10,"language":9,"isCompleted":15,"completionPercentage":16,"totalExercises":17,"completedExercises":16,"vocabularyLists":18},"019f7f71-bb39-71d1-ba74-d156a44ac0a8",false,0,2,[],"2026-07-20T12:13:08+00:00","2026-07-20T12:15:37+00:00",[],[],[24,31],{"@id":25,"@type":26,"id":27,"grammarPage":28,"title":29,"instructions":30,"displayOrder":16,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-d541-7b44-8d2d-119085f2b748","GrammarExercise","019f7f71-d541-7b44-8d2d-119085f2b748","\u002Fapi\u002Fgrammar_pages\u002F019f7f71-bd41-7029-9a53-d4a811d5b4e4","Infinitivos e construções de perceção","Escolha a forma ou a análise que corresponde ao valor diretivo, deliberativo, exclamativo ou aspetual indicado.",{"@id":32,"@type":26,"id":33,"grammarPage":28,"title":34,"instructions":35,"displayOrder":36,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-d555-79cd-8260-44a49961194a","019f7f71-d555-79cd-8260-44a49961194a","Preposições, pequenas orações e variação","Escolha a construção ou a análise adequada à seleção preposicional, à variedade e ao valor temporal, condicional ou aspetual.",1]