[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"grammar-page-pt-infinitivo-pessoal-em-contextos-de-aceitabilidade-variavel":3,"grammar-exercises-by-page-019f7f71-bd97-78f4-8303-123fb349ba2c":23},{"id":4,"title":5,"slug":6,"seoDescription":7,"content":8,"language":9,"level":10,"displayOrder":11,"grammarTopics":12,"createdAt":19,"updatedAt":20,"generatorCategories":21,"readyImages":22},"019f7f71-bd97-78f4-8303-123fb349ba2c","Infinitivo pessoal em contextos de aceitabilidade variável","infinitivo-pessoal-em-contextos-de-aceitabilidade-variavel","Explora contextos em que a escolha entre infinitivo pessoal flexionado e não flexionado varia e não é decidida por uma única regra.","## A aceitabilidade forma um contínuo\n\nO infinitivo pessoal pode ter sujeito próprio e, no plural, mostrar terminações: *para nós sair**mos***, *antes de eles chegar**em***. Contudo, a oposição entre forma flexionada e não flexionada não é decidida por uma única regra. Há casos estáveis, alternâncias com diferença de perspetiva e contextos sobre os quais os falantes divergem.\n\n| Zona | Exemplo | Diagnóstico |\n|---|---|---|\n| flexão claramente motivada | *Saí antes de **os técnicos chegarem**.* | sujeito expresso diferente do da principal |\n| forma simples estável | *Nós **podemos sair**.* | complexo modal, sem oração pessoal autónoma |\n| alternância ampla | *Saímos para **resolver\u002Fresolvermos** o problema.* | mesmo sujeito, com graus diferentes de autonomia |\n| juízo variável | *Foram os primeiros a **chegar\u002Fchegarem**.* | competição entre estrutura fixa e concordância com o plural |\n\n“Atestado”, “aceitável para alguns falantes” e “recomendável num texto formal” não são sinónimos. A análise C2 mantém estes níveis separados.\n\n## Casos claros e falsos diagnósticos\n\nCom sujeito expresso, a oração infinitiva é claramente pessoal: *É importante **tu participares***; *A hipótese de **os dados estarem errados** foi considerada*. Na primeira e na terceira pessoas do singular, não há terminação especial: *para **eu sair*** e *antes de **ela chegar*** continuam a conter infinitivo pessoal.\n\nEm contrapartida, um sujeito plural na oração principal não licencia flexão dentro de um complexo verbal:\n\n- *Nós queremos **participar***, não *queremos participarmos*;\n- *Podemos **rever*** o texto, não *podemos revermos*;\n- *Começámos a **trabalhar***, não *começámos a trabalharmos*;\n- *Temos de **sair***, não *temos de sairmos*.\n\nAqui, *querer, poder, começar a* e *ter de* criam dependências estreitas. A terminação de plural no primeiro verbo já codifica o sujeito do complexo.\n\n:::warning\nNão identifique infinitivo pessoal apenas pela presença de **nós** ou **eles** na frase. Delimite primeiro a oração a que esse sujeito pertence.\n:::\n\n## Mesmo sujeito, duas perspetivas\n\nNuma oração adverbial com o mesmo sujeito da principal, as duas formas são muitas vezes possíveis:\n\n:::example\n*Revimos os dados antes de **publicar** o relatório.*\n\n*Revimos os dados antes de **publicarmos** o relatório.*\n:::\n\nA forma simples favorece integração e continuidade entre as ações. A flexão torna o agente visível dentro da subordinada e pode ganhar naturalidade com contraste, distância ou coordenação:\n\n- *Nós ficámos para **tratarmos** da sala; eles saíram para **receberem** os convidados.*\n- *Os técnicos reuniram-se, depois de várias reuniões e dois pareceres contraditórios, para **alterarem** o protocolo.*\n- *Apesar de **reconhecermos** as limitações, mantemos a conclusão.*\n\nNo segundo exemplo, *para alterar* continua disponível. A distância entre *os técnicos* e o infinitivo pode, contudo, tornar informativa a marca de plural. Em construções de controlo estreito, a situação é diferente: prefere-se *os técnicos decidiram alterar*, sem flexionar o segundo verbo.\n\n:::tip\nQuando as duas formas forem possíveis, compare o período completo. Distância, contraste e paralelismo podem tornar informativa uma flexão que seria pesada numa frase curta.\n:::\n\n## Nomes, adjetivos e sequências ambíguas\n\nDepois de um nome, a relação entre o grupo nominal e o infinitivo nem sempre é transparente:\n\n| Construção | Leitura favorecida |\n|---|---|\n| *Os alunos têm oportunidade de **consultar** o arquivo.* | atividade disponível aos alunos, formulação compacta |\n| *Os alunos têm oportunidade de **consultarem** o arquivo.* | alunos apresentados explicitamente como sujeitos da consulta |\n| *A oportunidade de **os alunos consultarem** o arquivo* | sujeito expresso dentro da oração infinitiva |\n\nCom sequências como *os primeiros a chegar*, *os únicos a responder* ou *difíceis de convencer*, a forma simples está fortemente estabelecida. Surgem, porém, flexões como *os primeiros a chegarem*, sobretudo quando o plural é reinterpretado como sujeito autónomo. A aceitação varia entre falantes e contextos.\n\nEm *problemas difíceis de resolver*, **problemas** é aquilo que se resolve, não o agente da resolução; *problemas difíceis de resolverem* altera indevidamente a relação. A proximidade de um plural não basta para desencadear flexão.\n\n## Causativos e percetivos\n\nDepois de *ver, ouvir, sentir, fazer, mandar* e *deixar*, coexistem estruturas com graus diferentes de integração:\n\n- *Ouvi **os músicos tocar***.\n- *Ouvi **os músicos tocarem***.\n- *Ouvi-**os tocar***.\n\nCom um grupo nominal, o PE admite infinitivo simples e flexionado; a preferência varia segundo o verbo, a leitura do evento e o falante. Com clítico no verbo principal, *ouvi-os tocar* é a solução neutra, enquanto *ouvi-os tocarem* é fortemente rejeitada por muitos falantes porque combina integração pronominal com flexão autónoma.\n\nO português brasileiro (PB) também apresenta alternância, mas dispõe de estratégias pronominais diferentes: *vi eles entrarem* ocorre em registos correntes, ao passo que a escrita monitorizada pode preferir *vi-os entrar*, *vi que eles entraram* ou outra construção. Não se deve transferir diretamente o juízo de uma estrutura nominal para uma estrutura pronominal.\n\n:::note\nOs verbos percetivos admitem várias análises e leituras: perceção do evento inteiro, processo em curso ou constatação de um facto. Parte da oscilação morfológica acompanha esta diversidade estrutural.\n:::\n\n## Variedade, frequência e processamento\n\nO infinitivo pessoal existe no PE e no PB, mas a frequência de cada construção, a norma ensinada e os juízos individuais não são idênticos. Também há diversidade nas variedades africanas e em situações de contacto; “português pluricêntrico” não implica uma escala única de aceitabilidade.\n\nVários fatores interferem num julgamento:\n\n1. sujeito expresso ou apenas recuperado;\n2. identidade ou contraste entre os sujeitos;\n3. distância entre controlador e infinitivo;\n4. preposição e tipo de oração subordinada;\n5. grau de integração semântica com o verbo principal;\n6. forma nominal ou pronominal do participante;\n7. registo, frequência e exposição do falante.\n\nUma frase isolada pode receber avaliações instáveis porque lhe falta o contexto que estabelece contraste ou referência. Antes de marcar uma variante como impossível, teste-a num parágrafo e com mais de um falante da variedade relevante.\n\n## Decidir numa revisão formal\n\nNum texto de referência europeia, siga uma hierarquia de decisão:\n\n- use flexão quando há sujeito próprio plural: *antes de os convidados chegarem*;\n- mantenha a forma simples em auxiliares, modais e controlos estreitos: *podemos sair, queremos participar*;\n- em adverbiais correferenciais, escolha a flexão apenas se clarificar ou contrastar o agente;\n- com percetivos e causativos, considere a forma do participante e o grau de integração;\n- em contextos disputados, prefira a solução mais transparente para o público;\n- se a referência continuar ambígua, use uma oração finita.\n\n:::example\nAmbíguo: *A Marta falou com a Joana antes de sair.*\n\nSujeito Marta: *A Marta, antes de sair, falou com a Joana.*\n\nSujeito Joana: *A Marta falou com a Joana antes de a Joana sair.*\n:::\n\nO infinitivo pessoal não é concordância ornamental. Torna um sujeito acessível dentro de uma oração não finita; quando essa autonomia compete com uma ligação estrutural forte, nasce a variabilidade.","pt","C2",236,[13],{"id":14,"name":5,"level":10,"language":9,"isCompleted":15,"completionPercentage":16,"totalExercises":17,"completedExercises":16,"vocabularyLists":18},"019f7f71-bb3d-75a6-813e-6bf1ce52f966",false,0,2,[],"2026-07-20T12:13:08+00:00","2026-07-20T12:15:37+00:00",[],[],[24,31],{"@id":25,"@type":26,"id":27,"grammarPage":28,"title":29,"instructions":30,"displayOrder":16,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-d9c7-7d1b-ac0a-b97b1a860a63","GrammarExercise","019f7f71-d9c7-7d1b-ac0a-b97b1a860a63","\u002Fapi\u002Fgrammar_pages\u002F019f7f71-bd97-78f4-8303-123fb349ba2c","Delimitar integração e autonomia","Analisa a oração do infinitivo e escolhe o diagnóstico ou a forma adequada ao enquadramento indicado.",{"@id":32,"@type":26,"id":33,"grammarPage":28,"title":34,"instructions":35,"displayOrder":36,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-d9eb-7cd4-97e4-9cac014decd6","019f7f71-d9eb-7cd4-97e4-9cac014decd6","Variação e revisão formal","Distingue leituras nominais, percetivas e pronominais e aplica critérios explícitos de variação e revisão formal.",1]