B1 · IntermediateLesson 2 of 4

Orações completivas com que e se

Aprende a construir orações completivas introduzidas por que e se, como em acho que ou confirmou que, para completar o sentido de um verbo. Nível B1.

O que é uma oração completiva?

Uma oração completiva completa o sentido de um verbo, nome ou adjetivo. Na frase Acho que o filme começa às nove, a oração introduzida por que indica aquilo que a pessoa acha.

A Leonor confirmou que vinha à reunião.

O verbo confirmar precisa de um conteúdo: a Leonor confirmou o quê? A resposta é toda a oração que vinha à reunião.

Em português, muitas completivas são introduzidas por que ou se. A escolha depende do tipo de informação transmitida.

As completivas também podem depender de um nome, de um adjetivo ou funcionar como sujeito:

  • A ideia de que ele desistiu surpreendeu-nos.
  • Mantemos a esperança de que melhore.
  • Estou convencido de que é possível.
  • É provável que chova; é pena que não venhas; convém que chegues cedo.

Completivas com que

Usa-se geralmente que para introduzir um conteúdo apresentado como afirmação, pensamento, desejo, sentimento ou avaliação.

Palavra ou expressão Exemplo
dizer O Paulo disse que chegava mais tarde.
achar Acho que esta solução é melhor.
saber Sabemos que a loja fecha às seis.
esperar Espero que tudo corra bem.
ter a certeza Tenho a certeza de que ela recebeu a mensagem.

O modo verbal da completiva depende da expressão principal. Compara Sei que ele vem, que apresenta o conteúdo como certo, e Espero que ele venha, que exprime expectativa.

Expressão principal Modo habitual Exemplo
certeza ou declaração indicativo Sei que ele vem; disse que chegava.
vontade, emoção ou dúvida conjuntivo Espero que venha; lamento que falte; duvido que seja verdade.
negação de verbo de opinião conjuntivo Não acredito que ele tenha mentido.

Nesta página, o mais importante é reconhecer a função de que e se. A escolha entre indicativo e conjuntivo é estudada com maior detalhe nas páginas dedicadas aos modos verbais.

Discurso indireto e os tempos

Ao transmitir as palavras de outra pessoa, o tempo verbal pode recuar. A frase direta Chego às nove transforma-se, por exemplo, em Disse que chegava às nove. O verbo chegava apresenta a hora a partir do momento em que a pessoa falou.

Infinitivo como alternativa

Em algumas completivas, o infinitivo torna a frase mais curta. Quando o sujeito é o mesmo, usa-se normalmente o infinitivo sem marca de pessoa: Espero sair cedo.

  • Espero sair cedo. — eu espero e eu saio.
  • Espero que saias cedo. — eu espero; tu sais.
  • É melhor sair agora. — conselho geral, sem indicar a pessoa.
  • É melhor saíres agora. — o conselho dirige-se a tu.
  • Penso que eles são os responsáveis.

O infinitivo pessoal marca o sujeito quando é útil; o conjuntivo cria uma oração finita introduzida por que. A construção Penso serem eles os responsáveis é possível, mas tem um tom formal ou literário e é menos corrente.

Completivas com se

Usa-se se para introduzir uma pergunta indireta total, isto é, uma pergunta cuja resposta possível é sim ou não.

Pergunta direta Pergunta indireta
A loja está aberta? Não sei se a loja está aberta.
É preciso reservar? Perguntei se é preciso reservar.
A Marta vem connosco? Queremos saber se a Marta vem connosco.

Na pergunta indireta, mantém-se a ordem normal da frase e não se usa ponto de interrogação quando a frase completa é declarativa: Não sei se ele telefonou.

Se a pergunta original puder ser respondida com sim ou não, a completiva indireta começa muitas vezes por se.

Que ou se?

Compara o significado das duas construções:

  • Sei que a biblioteca abre ao sábado. — apresento a informação como conhecida.
  • Não sei se a biblioteca abre ao sábado. — pergunto indiretamente se a informação é verdadeira.
  • Ela confirmou que o pedido chegou. — transmite um conteúdo afirmado.
  • Ela perguntou se o pedido chegou. — procura uma resposta afirmativa ou negativa.

Não troques automaticamente que por se depois de uma forma negativa. Em Não acredito que ele tenha mentido, continua a existir uma afirmação avaliada pelo falante, não uma pergunta indireta.

Quick check

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1
Ao transmitir a informação como afirmação: A Leonor confirmou vinha à reunião.

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Manter a preposição exigida

Alguns verbos, nomes e adjetivos exigem uma preposição antes da completiva. Essa preposição deve ser conservada.

Estrutura Exemplo
lembrar-se de Lembro-me de que já falámos deste assunto.
ter a certeza de Tenho a certeza de que ele percebeu.
insistir em A Joana insistiu em que fôssemos com ela.
duvidar de Duvido de que seja possível terminar hoje.

Para verificar a preposição, substitui primeiro a oração por um nome ou pronome: Lembro-me disso; insistiu nisso. A mesma relação mantém-se diante da completiva.

Na oralidade, ouve-se frequentemente Lembro-me que falámos e Tenho a certeza que ele vem. Em escrita cuidada, preferem-se Lembro-me de que falámos e Tenho a certeza de que ele vem, porque estas construções conservam a preposição exigida. O teste de isso ajuda: penso isso (sem de), mas lembro-me disso (com de).

Evita o dequeísmo: ✓ Penso que ele vem; ✗ Penso de que ele vem; ✗ Disse-me de que não podia.

Não confundir funções

As palavras que e se também desempenham outras funções.

Se completivo e se condicional

  • Não sei se vai chover: a oração completa o verbo saber.
  • Se chover, ficamos em casa: a oração apresenta uma condição para o resultado.

Que completivo e que relativo

  • Acho que o livro é útil: não existe um nome anterior retomado por que; a oração completa acho.
  • O livro que comprei é útil: que comprei caracteriza o nome livro.

Perguntas indiretas parciais começam por uma palavra interrogativa, e não por se: Não sei onde ela mora; Perguntei quando chegavam; Quero saber porque saíste cedo. Aqui, porque introduz a explicação; no fim de uma pergunta ou de uma frase, escreve-se porquê: Quero saber porquê.

Pontuação e construção da frase

Em geral, não se coloca vírgula entre o verbo principal e a oração que lhe completa o sentido.

  • Correto: Penso que tens razão.
  • Correto: Não sei se o museu está aberto.
  • Evitar: Penso, que tens razão.
  • Evitar: Não sei, se o museu está aberto.

Na língua-padrão, o conector também não deve ser omitido: Acho que ele vem amanhã. Além disso, uma pergunta indireta conserva a ordem declarativa: Perguntou se a Ana estava em casa, e não uma inversão copiada de outra língua.

Síntese

Para construir uma oração completiva:

  1. identifica a palavra cujo sentido precisa de ser completado;
  2. usa que para introduzir um conteúdo declarativo;
  3. usa se para uma pergunta indireta de resposta sim/não;
  4. mantém a preposição exigida pela palavra principal;
  5. evita separar a completiva do verbo com uma vírgula.

Assim, Sei que ele vem transmite uma informação, enquanto Não sei se ele vem incorpora uma pergunta. Essa diferença simples organiza grande parte das completivas mais frequentes.

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Last updated August 23, 2026