[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"grammar-page-pt-pronomes-e-determinantes-de-uso-arcaico":3,"grammar-exercises-by-page-019f7f71-bf4c-7ebb-8fd5-d8b25c6bbc66":23},{"id":4,"title":5,"slug":6,"seoDescription":7,"content":8,"language":9,"level":10,"displayOrder":11,"grammarTopics":12,"createdAt":19,"updatedAt":20,"generatorCategories":21,"readyImages":22},"019f7f71-bf4c-7ebb-8fd5-d8b25c6bbc66","Pronomes e determinantes de uso arcaico","pronomes-e-determinantes-de-uso-arcaico","Explora pronomes e determinantes de uso arcaico que ainda sobrevivem em provérbios, textos jurídicos e tradições literárias antigas. Nível C2.","## Arcaico em relação a quê?\n\nUma forma pode desaparecer da fala geral e conservar-se num provérbio, num texto jurídico, numa variedade regional ou numa tradição literária. Além disso, **português antigo** e **português clássico** designam fases diferentes; não existe um pacote único de formas “antigas”.\n\n| Situação | Exemplo | Leitura adequada |\n|---|---|---|\n| forma histórica | **aqueste** | demonstrativo reforçado próximo de *este* |\n| sobrevivência formal | **outrem** | outra pessoa ou outras pessoas |\n| expressão lexicalizada | **el-rei** | designação tradicional do rei |\n| grafia antiga | **elle** | grafia histórica de *ele*, não outro pronome |\n\nAntes de modernizar ou imitar, é preciso datar o texto, reconhecer a variedade e distinguir **forma gramatical**, **grafia** e **efeito estilístico**.\n\n## Demonstrativos reforçados\n\nO português medieval conheceu séries como **aqueste, aquesta, aquesto** e **aquesse, aquessa, aquesso**, ao lado de formas mais breves. Em muitos contextos, **aqueste** aproxima-se de **este**, e **aquesse**, de **esse**. A distribuição efetiva varia com a época, o género textual e o manuscrito.\n\nTambém se encontram combinações com **outro**:\n\n- **estoutro \u002F estoutra** — este outro \u002F esta outra;\n- **essoutro \u002F essoutra** — esse outro \u002F essa outra;\n- **aqueloutro \u002F aqueloutra** — aquele outro \u002F aquela outra.\n\nEstas últimas formas não estão totalmente extintas: permanecem registadas e podem ocorrer em prosa cuidada ou literária. A raridade não as torna equivalentes a qualquer demonstrativo antigo.\n\n:::warning\nNão modernizes **aqueste** automaticamente sem verificar a oposição no texto. Se a passagem contrasta **aqueste** com **aquel**, a relação de proximidade faz parte da organização referencial.\n:::\n\n## Indefinidos: al e outrem\n\n**Al** era um pronome indefinido com o sentido de **outra coisa**. É hoje arcaico ou literário e aparece por vezes em estruturas negativas ou formulares: *não pretendia al senão justiça* pode ser parafraseado por *não pretendia outra coisa senão justiça*.\n\n**Outrem** refere-se a outra pessoa ou a pessoas diferentes do sujeito. Continua disponível em registos formais, jurídicos e literários:\n\n| Forma | Exemplo atual possível | Paráfrase |\n|---|---|---|\n| **outrem** | *Não atribuas a outrem o trabalho que fizeste.* | a outra pessoa |\n| **de outrem** | *Apropriou-se de bens de outrem.* | pertencentes a outra pessoa |\n| **por outrem** | *O ato foi praticado por outrem.* | por outra pessoa |\n| **noutrem** | *Procurava noutrem a confirmação.* | em outra pessoa |\n\n:::note\n**Outrem** é raro, mas não simplesmente “incorreto” ou medieval. Não costuma receber artigo nem ter plural; o contexto fornece uma leitura singular ou genérica.\n:::\n\n## Possessivos fracos medievais\n\nNos textos medievais, existiram formas possessivas femininas átonas **ma, ta, sa**, a par de formas fortes como **mia\u002Fminha, tua, sua**. Sequências como **ma senhor** podem corresponder a **minha senhora**. A oposição já variava nos textos antigos e foi desaparecendo ao longo do português médio.\n\nA estrutura do grupo nominal também mudou. Em textos do século XIII, o possessivo ocorria sistematicamente sem o artigo definido em contextos nos quais o português europeu atual usa geralmente **o meu livro, a sua casa**.\n\n:::example\nAo editar uma sequência medieval equivalente a **mia casa**, há pelo menos duas decisões diferentes:\n\n- **transcrição conservadora:** mantém a forma e a grafia do testemunho;\n- **modernização:** escolhe **a minha casa** se o objetivo for reproduzir a sintaxe europeia contemporânea.\n\nAcrescentar o artigo não é apenas atualizar letras; altera a estrutura histórica.\n:::\n\nA ausência de artigo antes de possessivo não é, por si só, arcaica em todo o português atual. É corrente em muitas variedades brasileiras e ocorre em contextos específicos noutras variedades. A mesma superfície pode resultar de histórias gramaticais distintas.\n\n## Formas distributivas e interrogativas\n\nAlguns determinantes desapareceram do uso geral, mas ajudam a interpretar textos antigos.\n\n| Forma | Função histórica | Paráfrase moderna |\n|---|---|---|\n| **senhos \u002F senhas** | distribuição por vários participantes | um para cada \u002F respetivos |\n| **quejando\u002Fa\u002Fos\u002Fas** | pergunta ou caracterização de tipo | que espécie de \u002F de que natureza |\n| **atal** | identificação ou caracterização | tal \u002F semelhante |\n\nNuma frase reconstruída como *os cavaleiros levavam **senhas lanças***, entende-se que cada cavaleiro levava a sua lança. **Senhos\u002Fsenhas** concordam com o nome e codificam a distribuição; não correspondem ao plural contemporâneo do nome *senha*.\n\nUma pergunta como ***Quejanda** resposta esperais?* pede o tipo de resposta, não apenas a escolha entre respostas já identificadas. Estas paráfrases esclarecem a função, mas uma edição filológica deve respeitar a forma atestada e a sintaxe do original.\n\n## Pronomes locativos e indeterminação por homem\n\nO português antigo dispunha de formas pronominais como **ende\u002Fen**, que podiam retomar uma origem, um lugar ou um complemento introduzido por **de**, com valores próximos de **daí, de lá, disso**. A sua posição e interpretação dependem da sintaxe medieval; substituí-las palavra por palavra pode produzir uma frase moderna artificial.\n\nTambém se documenta **homem** sem artigo como recurso de sujeito genérico, historicamente comparável ao francês *on*:\n\n> *homem deve guardar a palavra dada* → *deve guardar-se a palavra dada \u002F uma pessoa deve guardar a palavra dada*.\n\nÉ preciso distingui-lo do nome lexical em *o homem entrou*. O artigo, a referência a um indivíduo e o contexto ajudam a decidir. No português atual, **se**, **uma pessoa**, **alguém** ou uma construção genérica costumam traduzir melhor a função.\n\n:::tip\nSe uma palavra antiga parece não ter referente concreto, testa primeiro uma leitura discursiva: **outra coisa**, **outra pessoa**, **daí\u002Fdisso** ou **uma pessoa em geral**.\n:::\n\n## Sobrevivências não formam um único sistema\n\nExpressões como **de per si**, **cada qual**, **quem quer que seja**, **por outrem** e **aqueloutro** têm graus diferentes de vitalidade. Algumas são formais, outras formulares ou literárias; não pertencem necessariamente à mesma época.\n\n**El-rei** é uma expressão histórica lexicalizada. Não autoriza criar livremente *el-diretor* ou analisar **el** como pronome produtivo do português contemporâneo. Da mesma forma, escrever **elle, ella, aquelle** reproduz convenções ortográficas anteriores; não recupera sozinho a gramática de um período.\n\nAs tradições também atravessam fronteiras. Formas partilhadas pelo galego e pelo português podem refletir a história medieval comum ou conservações paralelas. A ocorrência numa obra brasileira, angolana ou moçambicana pode ser citação, herança literária, regionalismo ou criação estilística; exige análise local.\n\n## Ler, editar e recriar\n\nPerante uma forma rara:\n\n1. confirma a leitura no manuscrito ou numa edição fiável;\n2. data o testemunho e a cópia, não apenas a obra atribuída;\n3. identifica a classe e a função no contexto;\n4. procura contrastes dentro do mesmo texto;\n5. separa grafia antiga de morfologia antiga;\n6. decide se a edição transcreve, regulariza ou moderniza;\n7. explica perdas de informação na paráfrase;\n8. evita misturar formas de séculos diferentes sem intenção estética.\n\nNum texto literário contemporâneo, uma forma arcaizante pode construir solenidade, comicidade, distância ou memória cultural. O efeito será mais convincente se a seleção for **historicamente orientada**, e não uma acumulação aleatória de palavras raras.","pt","C2",232,[13],{"id":14,"name":5,"level":10,"language":9,"isCompleted":15,"completionPercentage":16,"totalExercises":17,"completedExercises":16,"vocabularyLists":18},"019f7f71-bb46-727a-81f8-f08d324d0143",false,0,2,[],"2026-07-20T12:13:08+00:00","2026-07-20T12:15:37+00:00",[],[],[24,31],{"@id":25,"@type":26,"id":27,"grammarPage":28,"title":29,"instructions":30,"displayOrder":16,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-ec51-754e-b062-f6f59c01a416","GrammarExercise","019f7f71-ec51-754e-b062-f6f59c01a416","\u002Fapi\u002Fgrammar_pages\u002F019f7f71-bf4c-7ebb-8fd5-d8b25c6bbc66","Reconhecer formas e funções históricas","Identifica demonstrativos, indefinidos, possessivos e determinantes no sistema e no contexto em que ocorrem.",{"@id":32,"@type":26,"id":33,"grammarPage":28,"title":34,"instructions":35,"displayOrder":36,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-ec81-7656-9aa7-6f2b1740d1da","019f7f71-ec81-7656-9aa7-6f2b1740d1da","Interpretar, editar e recriar","Resolve formas locativas e genéricas e escolhe procedimentos de edição ou recriação historicamente coerentes.",1]