[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"grammar-page-pt-tu-e-voce-concordancia-e-distribuicao-regional":3,"grammar-exercises-by-page-019f7f71-c032-711a-bffb-73383ff2261e":23},{"id":4,"title":5,"slug":6,"seoDescription":7,"content":8,"language":9,"level":10,"displayOrder":11,"grammarTopics":12,"createdAt":19,"updatedAt":20,"generatorCategories":21,"readyImages":22},"019f7f71-c032-711a-bffb-73383ff2261e","Tu e você: concordância e distribuição regional","tu-e-voce-concordancia-e-distribuicao-regional","Conhece a diferença de concordância entre tu, da segunda pessoa gramatical, e você, que combina com a terceira, e como isso varia consoante a região.","## A pessoa social e a pessoa gramatical\n\n**Tu** e **você** dirigem-se a uma só pessoa, mas não controlam a mesma concordância. *Tu* pertence à segunda pessoa gramatical; *você*, com origem numa forma de tratamento, combina com o verbo na terceira pessoa.\n\n| Elemento | Paradigma de *tu* | Paradigma de *você* |\n|---|---|---|\n| sujeito e verbo | *tu falas* | *você fala* |\n| complemento direto | *eu vi-te* | *eu vi-o \u002F vi-a* |\n| complemento indireto | *eu dei-te o livro* | *eu dei-lhe o livro* |\n| forma reflexa | *tu lembraste-te* | *você lembrou-se* |\n| depois de preposição | *para ti; contigo* | *para si; consigo* |\n| possessivo | *o teu livro* | *o seu livro* |\n\nEste quadro descreve os paradigmas de referência do português europeu. Noutras variedades, sobretudo no português brasileiro, existem sistemas estáveis que combinam formas de origens pessoais diferentes.\n\n:::example\n> **Tu trouxeste o teu livro contigo?**\n>\n> **Você trouxe o seu livro consigo?**\n\nAs duas perguntas têm um só destinatário. A diferença está na concordância verbal e nas restantes formas escolhidas para o representar.\n:::\n\n## Manter a concordância no português europeu\n\nNo português europeu, um texto que começa com *tu* mantém normalmente as formas de segunda pessoa. Um tratamento de terceira pessoa — *você*, *o senhor*, *a doutora*, o nome ou um título — exige verbo na terceira pessoa.\n\n| Função | *tu* | tratamento de terceira pessoa |\n|---|---|---|\n| presente | *Tu precisas de ajuda?* | *A senhora precisa de ajuda?* |\n| pretérito perfeito | *Tu recebeste a mensagem?* | *O Rui recebeu a mensagem?* |\n| imperativo afirmativo | *Fecha a porta.* | *Feche a porta.* |\n| imperativo negativo | *Não feches a porta.* | *Não feche a porta.* |\n| reflexo | *Senta-te, por favor.* | *Sente-se, por favor.* |\n\nÉ muito frequente omitir o pronome ou a forma nominal quando o destinatário já está claro: *Deseja mais alguma coisa?*; *Pode assinar aqui?* A terceira pessoa do verbo continua presente, ainda que *você* ou *o senhor* não apareçam.\n\n:::tip\nNuma interação nova, repare no verbo e na forma de tratamento usados pela outra pessoa. Em português europeu, a omissão do sujeito com a terceira pessoa é muitas vezes uma solução discreta até se estabelecer o tratamento adequado.\n:::\n\n## Em Portugal: relação, contexto e efeito\n\nEm Portugal, **tu** é comum entre familiares, amigos, crianças e muitos colegas ou pessoas da mesma geração. O seu uso tem-se alargado em ambientes informais, mas a passagem para *tu* depende da relação, da idade, do contexto profissional e das preferências individuais.\n\nO pronome explícito **você** não ocupa simplesmente o ponto «formal» de uma escala. Conforme a região, a geração, a relação e o tom, pode soar natural, distante, brusco ou até condescendente. Em situações formais ou com pessoas desconhecidas, são frequentes:\n\n- a terceira pessoa sem sujeito expresso: *Deseja marcar uma consulta?*;\n- *o senhor* ou *a senhora*: *A senhora tem marcação?*;\n- um título ou nome: *A professora prefere começar agora?*;\n- uma forma institucional: *Vossa Excelência*, apenas em contextos protocolares específicos.\n\n:::warning\nNão traduza automaticamente **you** por *você*. Em português europeu, essa escolha pode alterar a relação social transmitida pela frase. Muitas vezes, *tu*, uma forma nominal ou o sujeito omitido é mais adequado.\n:::\n\n## No Brasil: vários sistemas regionais\n\nEm grande parte do Brasil, **você** é uma forma corrente e informal entre pessoas próximas ou desconhecidas. Combina com a terceira pessoa verbal: *você quer*, *você foi*, *você pode*. Para marcar respeito ou maior distância, são também comuns *o senhor* e *a senhora*.\n\n**Tu** tem forte presença em regiões do Norte, do Nordeste e do Sul, bem como no Rio de Janeiro e noutras comunidades. A concordância não é igual em todo o território:\n\n| Sistema regional | Exemplo possível | Observação |\n|---|---|---|\n| *você* + terceira pessoa | *Você vai hoje?* | muito difundido no Brasil |\n| *tu* + segunda pessoa | *Tu vais hoje?* | conservado em algumas regiões e registos |\n| *tu* + forma verbal de terceira pessoa | *Tu vai hoje?* | corrente em vários usos coloquiais regionais |\n\nTambém são frequentes, sobretudo na fala, combinações como *você sabe que eu te apoio* ou *você trouxe teu casaco?*. Não são trocas aleatórias: pertencem a sistemas de tratamento que se desenvolveram no português brasileiro. Numa situação de escrita monitorizada, convém seguir a norma e o registo esperados pelo público a que o texto se destina.\n\n## Em Angola, Moçambique e outras comunidades\n\nNão existe um único sistema de tratamento «africano». Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe têm histórias linguísticas, contactos entre línguas e convenções sociais diferentes.\n\nEm estudos de fala urbana em Luanda, **você** aparece com frequência em relações sem grande formalidade, enquanto **tu** pode ficar mais associado à proximidade em certos grupos. *O senhor*, *a senhora*, nomes e títulos continuam importantes. Em Moçambique e em Angola, estão também documentadas combinações de formas pessoais que não coincidem inteiramente com o quadro escolar europeu.\n\nA escolha pode variar com a idade, a região, a instituição, a língua familiar e a relação entre os interlocutores. Por isso:\n\n- não transfira automaticamente para Angola ou Moçambique o valor social que *você* tem em Portugal;\n- observe a concordância realmente usada pela comunidade;\n- em instituições, siga a convenção local de tratamento;\n- trate cada variedade nacional e regional separadamente.\n\n:::note\nUma gramática pluricêntrica descreve padrões locais antes de os avaliar. Dizer que uma forma é corrente numa região não significa recomendá-la para todos os contextos nem corrigi-la segundo outra variedade.\n:::\n\n## Escolher a forma adequada\n\nAntes de escolher entre *tu*, *você* e uma forma nominal, identifique a variedade, a relação e o registo.\n\n| Contexto de referência | Ponto de partida útil |\n|---|---|\n| Portugal, relação próxima | *tu* é frequente; confirme a preferência da pessoa |\n| Portugal, contacto formal ou desconhecido | terceira pessoa sem pronome, nome, título ou *o senhor \u002F a senhora* |\n| grande parte do Brasil, interação corrente | *você* + verbo na terceira pessoa |\n| regiões brasileiras com *tu* | siga o padrão local de concordância e o registo |\n| Angola ou Moçambique | observe a convenção da comunidade e da instituição |\n\nNo plural, **vocês** combina geralmente com a terceira pessoa do plural: *vocês querem*. **Vós** e as suas formas verbais sobrevivem em usos regionais, religiosos ou literários, sobretudo em Portugal, mas não são a solução corrente na maioria das interações.\n\nEm síntese, a gramática distingue *tu falas* de *você fala*, mas a escolha social não se reduz a «informal» e «formal». É preciso coordenar **concordância**, **variedade regional**, **relação entre as pessoas** e **situação comunicativa**.","pt","B2",180,[13],{"id":14,"name":5,"level":10,"language":9,"isCompleted":15,"completionPercentage":16,"totalExercises":17,"completedExercises":16,"vocabularyLists":18},"019f7f71-bb12-7686-9edc-3de779356422",false,0,2,[],"2026-07-20T12:13:09+00:00","2026-07-20T12:15:37+00:00",[],[],[24,31],{"@id":25,"@type":26,"id":27,"grammarPage":28,"title":29,"instructions":30,"displayOrder":16,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-f6cf-7f2d-8a06-3bc1566183db","GrammarExercise","019f7f71-f6cf-7f2d-8a06-3bc1566183db","\u002Fapi\u002Fgrammar_pages\u002F019f7f71-c032-711a-bffb-73383ff2261e","Manter o paradigma europeu","Completa cada frase segundo o paradigma de referência do português europeu e o tratamento explicitamente indicado.",{"@id":32,"@type":26,"id":33,"grammarPage":28,"title":34,"instructions":35,"displayOrder":36,"isCompleted":15},"\u002Fapi\u002Fgrammar_exercises\u002F019f7f71-f6ef-7bc9-9f21-c0565c68fa54","019f7f71-f6ef-7bc9-9f21-c0565c68fa54","Escolher segundo a variedade e o contexto","Escolhe a opção que respeita a variedade, a relação e o registo indicados, sem transformar padrões regionais legítimos em regras universais.",1]