B2 · Upper Intermediate

Concordância de cores e adjetivos compostos

Aprende como concordam os adjetivos de cor simples, os nomes usados com valor de cor e os adjetivos compostos em português europeu, nível B2.

By the flumi team About 6 min read

A cor pode ter estruturas diferentes

Uma cor pode ser expressa por um adjetivo simples, por um nome usado com valor de cor ou por um adjetivo composto. A concordância depende dessa estrutura.

Estrutura Exemplo Concordância
adjetivo simples paredes brancas género e número
nome com valor de cor camisolas laranja geralmente invariável
composto terminado em adjetivo saias azul-claras só o último elemento varia
composto terminado em nome saias verde-garrafa composto invariável

Comprámos duas almofadas vermelhas, três cadeiras cor-de-rosa e quatro cortinas verde-escuras.

Antes de fazer a concordância, identifica como a expressão de cor foi construída.

Cores simples e derivadas

Os adjetivos de cor simples e os adjetivos derivados concordam normalmente com o nome.

  • uma parede branca / duas paredes brancas;
  • um casaco preto / umas calças pretas;
  • um tapete verde / uns tapetes verdes;
  • uma porta azul / umas portas azuis;
  • uma luz avermelhada / uns tons avermelhados.

Alguns adjetivos têm formas diferentes para masculino e feminino, como branco / branca e castanho / castanha. Outros mantêm a mesma forma no singular, como verde e azul, mas recebem a marca de plural: verdes, azuis.

Algumas designações de cor têm origem nominal e não se comportam todas da mesma forma. Marfim tem um uso estável e geralmente invariável: cortinas marfim. Bege e lilás usam-se muitas vezes sem alteração como adjetivos, mas os plurais beges e lilases também estão registados. Creme, como nome usado com valor de cor, aparece frequentemente invariável: paredes creme.

Em português europeu, castanho é muito frequente para a cor: olhos castanhos, saia castanha. No português do Brasil, marrom é a escolha corrente em muitos contextos. Esta diferença lexical não altera a necessidade de observar a concordância própria de cada palavra.

Nomes usados como cores

Palavras que designam originalmente flores, frutos, pedras ou outros objetos podem ser usadas para indicar uma tonalidade. Nesse uso adjetival, mantêm-se geralmente invariáveis.

  • camisolas laranja;
  • lenços rosa;
  • paredes salmão;
  • brincos turquesa.

Podemos recuperar a ideia de “cor de”: camisolas cor de laranja, paredes cor de salmão. Pelo Acordo Ortográfico, escrevemos cor de laranja, cor de café e cor de vinho sem hífen; a exceção consagrada é cor-de-rosa, com hífenes e invariável: um vestido cor-de-rosa / duas camisas cor-de-rosa.

Quando uma palavra de cor é usada como nome, pode receber plural: Gosto dos azuis deste quadro. Não confundas esse uso nominal com o uso adjetival invariável de laranja em camisas laranja.

Compostos terminados em adjetivo

Num adjetivo composto de cor cujo último elemento também é adjetivo, só o último elemento concorda com o nome. O primeiro mantém a forma de base.

Singular Plural
camisa azul-clara camisas azul-claras
cortina verde-escura cortinas verde-escuras
parede amarelo-esverdeada paredes amarelo-esverdeadas
casaco vermelho-escuro casacos vermelho-escuros

Repara em parede amarelo-esverdeada: é esverdeada que concorda no feminino; amarelo não passa a amarela. O composto inteiro exprime uma única tonalidade.

Não apliques a concordância de um adjetivo simples aos dois elementos. Escreve saias vermelho-escuras, e não saias vermelhas-escuras.

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Associa cada expressão à sua estrutura: «paredes brancas» contém ; «camisolas laranja» contém ; «saias azul-claras» contém .

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Compostos terminados em nome

Quando o segundo elemento é um nome que identifica a referência da tonalidade, o adjetivo composto mantém-se invariável.

  • um casaco amarelo-canário / dois casacos amarelo-canário;
  • uma saia verde-garrafa / duas saias verde-garrafa;
  • um colar azul-turquesa / vários colares azul-turquesa;
  • uma fita vermelho-cereja / duas fitas vermelho-cereja;
  • um sapato cor de vinho / uns sapatos cor de vinho; um olho cor de mel / uns olhos cor de mel.

O segundo elemento responde implicitamente a “da cor de quê?”: amarelo como um canário, verde como uma garrafa, vermelho como uma cereja. Por isso, não funciona aqui como um adjetivo que concorda com o nome principal. As construções cor de vinho e cor de mel, sem hífen, também ficam invariáveis pelo mesmo motivo.

Compostos como azul-marinho e verde-oliva são invariáveis por terminarem num nome. O uso e a grafia destas cores são estáveis no português europeu e no português brasileiro: duas camisas azul-marinho, saias verde-oliva.

Azul-celeste merece uma nota à parte: celeste é um adjetivo, não um nome. Trata-se de uma designação de cor lexicalizada, usada habitualmente de forma invariável: paredes azul-celeste.

Cores em posição predicativa e sem hífen

As regras de concordância mantêm-se depois de ser, ficar e verbos semelhantes: As paredes são cor-de-rosa; Os sapatos ficaram azul-escuros.

Também podes escrever a cor sem hífen quando o modificador vem depois e funciona como outro adjetivo: olhos verdes claros. Com hífen, a expressão forma uma só tonalidade e só o último elemento varia: olhos verde-claros.

Outros adjetivos compostos

Fora do domínio das cores, a regra mais frequente também é flexionar apenas o último elemento:

  • relações luso-brasileiras;
  • medidas político-económicas;
  • estudos técnico-científicos;
  • acordos económico-financeiros.

Uma exceção tradicional é surdo-mudo, em que variam os dois elementos: surdo-mudo, surda-muda, surdos-mudos, surdas-mudas.

Ao falar de pessoas, não pressuponhas que uma pessoa surda é muda; respeita a designação que ela usa.

Nos gentílicos compostos, o primeiro elemento costuma ter uma forma reduzida própria: luso-, franco-, ítalo-, afro-. Por isso escrevemos relações luso-brasileiras, não portuguesas-brasileiras.

Se dois adjetivos forem independentes, e não um composto, cada um concorda normalmente: camisas azuis e brancas. O hífen em camisas azul-claras mostra que azul-claro designa uma só tonalidade.

Para rever a concordância:

  1. identifica se a cor é simples, nominal ou composta;
  2. num composto, determina se o último elemento é adjetivo ou nome;
  3. flexiona apenas o último adjetivo;
  4. mantém invariável o composto terminado em nome.

Assim, escolhes a concordância a partir da estrutura da expressão de cor, e não apenas da palavra que aparece no fim.

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Last updated October 11, 2026