B1 · IntermediateLesson 4 of 4

Orações relativas restritivas e explicativas

Aprende a distinguir orações relativas restritivas, que identificam o antecedente, das explicativas, que acrescentam um comentário. Nível B1.

Duas formas de acrescentar informação

Uma oração relativa começa frequentemente por que e acrescenta informação sobre um nome anterior, chamado antecedente. Essa informação pode ser indispensável para identificar o antecedente ou apenas um comentário adicional.

Tipo de relativa Função Pontuação
restritiva identifica ou limita o antecedente sem vírgulas
explicativa acrescenta um comentário sobre um antecedente já identificado separada por vírgula ou vírgulas

A presença das vírgulas não indica apenas uma pausa: pode mudar a informação transmitida.

A relativa restritiva seleciona

A oração relativa restritiva diz de que pessoa, objeto ou grupo estamos a falar. Sem essa informação, o antecedente fica mais geral ou pode perder a identificação pretendida.

  • Os clientes que fizeram uma reserva entraram primeiro.
  • Quero visitar as cidades que ficam junto ao mar.
  • O livro que me recomendaste já chegou.

Na primeira frase, não falamos de todos os clientes, mas apenas dos que fizeram uma reserva. Por isso, a relativa seleciona uma parte do grupo e não leva vírgulas.

A relativa explicativa comenta

A oração relativa explicativa acrescenta uma informação sobre alguém ou algo que já está identificado. A frase principal continua a referir-se ao mesmo antecedente se retirarmos esse comentário.

  • A Teresa, que trabalha connosco, vive em Braga.
  • O museu, que fecha às segundas-feiras, recebe muitos visitantes.
  • O meu carro, que já tem quinze anos, continua a funcionar bem.

Nestas frases, a Teresa, o museu e o meu carro já estão identificados. A relativa fornece uma explicação adicional e aparece marcada por pausas e vírgulas.

Uma explicativa pressupõe, em regra, que o antecedente já esteja identificado no contexto. Por isso, depois de um antecedente indefinido, a relativa é normalmente restritiva: em Procuro um colega que trabalha numa livraria, ela indica qual é o colega procurado. Não se escreveria Procuro um colega, que trabalha numa livraria, com o mesmo sentido. Se a pessoa ou a coisa passar a estar identificada no discurso, uma explicativa pode voltar a ser possível.

Os nomes próprios favorecem muitas vezes a leitura explicativa porque já identificam uma pessoa: O Daniel, que vive no Porto, vem amanhã. O mesmo acontece com antecedentes únicos por natureza: A Lua, que gira à volta da Terra, é visível esta noite; O Tejo, que atravessa Lisboa, desagua no Atlântico. Nesses casos, uma relativa restritiva não é possível, porque não há vários candidatos a selecionar. O contexto, porém, continua a ser importante para interpretar a frase.

As vírgulas podem mudar o sentido

Compara estas duas frases:

Frase Interpretação
Os meus irmãos que vivem em Faro vêm amanhã. Só os irmãos que vivem em Faro vêm amanhã; posso ter outros irmãos.
Os meus irmãos, que vivem em Faro, vêm amanhã. Todos os meus irmãos vivem em Faro e vêm amanhã.

Não coloques uma vírgula apenas no fim de uma relativa inserida no meio da frase. Escreve A Sofia, que vive em Aveiro, vem hoje com duas vírgulas. Se a relativa explicativa terminar a frase, basta a vírgula inicial: Falei com a Sofia, que vive em Aveiro.

Evita também o erro inverso: não isoles com vírgulas uma relativa restritiva, pois isso transforma uma informação de seleção num comentário.

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O teste da informação indispensável

Para decidir entre os dois tipos, experimenta retirar a oração relativa:

  1. em Os passageiros que têm bilhete podem entrar, retirar que têm bilhete altera o grupo autorizado a entrar; a informação é restritiva;
  2. em O voo, que estava atrasado, partiu às dez, retirar que estava atrasado elimina um comentário, mas o voo continua identificado; a informação é explicativa.

Este teste ajuda, mas deve ser usado com o contexto. Pergunta também: quero selecionar uma pessoa ou um grupo, ou apenas comentar algo já identificado? Decide a leitura antes de colocar as vírgulas.

A função de que na oração relativa

O pronome relativo que retoma o antecedente e desempenha uma função dentro da oração relativa.

  • A mulher que chegou é a diretora. — que é o sujeito de chegou.
  • O livro que comprei é muito interessante. — que é o complemento direto de comprei.

Como que já representa o antecedente, não o repitas com outro pronome. Diz O livro que comprei, e não o livro que o comprei.

Depois do relativo que, qualquer pronome átono é obrigatoriamente proclítico: O livro que lhe dei; A carta que me enviaram.

Relativos com preposição

Quando a função dentro da relativa exige uma preposição, mantém-na antes do relativo: o livro de que falámos, a colega a quem escrevi, o assunto sobre o qual falámos. Com um antecedente humano, usa quem depois da preposição: a pessoa com quem falei, não a pessoa com que falei. Assim, a preposição e o relativo mostram claramente a função na oração.

O qual e a qual para evitar ambiguidades

As formas o qual, a qual, os quais e as quais concordam em género e número com o antecedente. Por isso, podem tornar clara a referência quando há mais do que um nome possível: A irmã do Pedro, a qual vive no Porto, vem amanhã. Aqui, a qual retoma a irmã, e não o Pedro. Estas formas são mais frequentes na escrita cuidada do que que.

Outros relativos frequentes

As combinações sobre o qual e de que, bem como os relativos cujo e onde, podem ocorrer tanto em relativas explicativas como em restritivas. Em sobre o qual, o relativo é o qual; sobre é a preposição. Nas explicativas escritas, sobretudo depois de preposição, vê O projeto, sobre o qual falámos, avançou e O museu, cujo horário mudou, abre mais cedo. Numa restritiva, diz A cidade onde nasceu fica perto daqui. Estas formas são aprofundadas numa lição própria sobre pronomes relativos.

Lê a frase em voz alta. Uma relativa explicativa tem normalmente pausas claras; uma restritiva liga-se diretamente ao antecedente. Depois, confirma sempre se a pontuação corresponde ao sentido desejado.

Síntese: sentido antes da pontuação

Para rever uma oração relativa:

  1. localiza o antecedente;
  2. decide se a relativa o identifica ou apenas acrescenta um comentário;
  3. não uses vírgulas numa relativa restritiva;
  4. isola uma relativa explicativa com a pontuação adequada;
  5. confirma que que não foi repetido por um pronome desnecessário.

A pontuação deve corresponder ao sentido que escolheste: uma restritiva seleciona o antecedente; uma explicativa acrescenta um comentário sobre um antecedente já identificado.

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Last updated October 11, 2026