Artigo com possessivos, parentesco e nomes de pessoa
Descobre como o artigo definido acompanha possessivos, termos de parentesco e nomes de pessoas conhecidas em português europeu, como a minha mãe, nível B1.
No português europeu, o artigo definido aparece normalmente antes de um possessivo e é muito frequente antes de nomes de pessoas conhecidas: o meu livro, a minha mãe, o Ricardo.
No fim desta lição, vais poder:
- usar o artigo com possessivos em contextos neutros;
- falar de familiares e pessoas conhecidas;
- reconhecer contextos em que o artigo se omite.
O padrão artigo + possessivo + nome
O artigo, o possessivo e o nome concordam em género e número com aquilo que é possuído.
| Nome possuído | Grupo nominal |
|---|---|
| livro | o meu livro |
| mochila | a tua mochila |
| bilhetes | os nossos bilhetes |
| chaves | as chaves dela |
Olha para o nome, não para o proprietário: o João trouxe as suas malas porque malas é feminino plural. Mas suas pode ser ambíguo: pode referir-se ao João ou a uma pessoa tratada por você ou o senhor.
Dele, dela e seu
Para indicar claramente o possuidor na terceira pessoa, usa dele, dela, deles ou delas depois do nome: o livro dele, o livro dela, os livros deles. O seu livro é possível, mas pode referir-se a outra pessoa ou a um interlocutor tratado formalmente. Prefere dele ou dela quando a clareza for importante.
Parentesco e relações pessoais
Em Portugal, os nomes de parentesco seguem normalmente o mesmo padrão.
- o meu pai e a minha mãe;
- os teus irmãos;
- a nossa avó;
- os primos deles.
O artigo combina-se com certas preposições: Falei com o meu pai; A casa da minha irmã; Telefonámos aos nossos avós.
A minha prima vive em Braga. No domingo, fui almoçar a casa dos meus tios e encontrei os meus primos.
Nomes de pessoas conhecidas
Na conversa corrente em Portugal, é frequente usar o/a antes de um nome de pessoa.
- A Leonor telefonou.
- Encontrei o Rui no mercado.
- Este casaco é da Marta. (de + a)
- Entreguei o documento ao Paulo. (a + o)
Em apresentações, listas, assinaturas ou registo mais formal, o artigo pode faltar: Chamo-me Leonor.; Rui Costa apresentou o relatório. Também não se usa artigo no vocativo ou chamamento: Ana, chegas a horas?; Bom dia, Rui.
Com títulos e formas de tratamento, o artigo é habitual e o registo muda: o senhor Costa é respeitoso, a doutora Silva é formal e a Dona Fernanda é uma forma de tratamento próxima e tradicional. Em cabeçalhos de carta, endereçamentos de ofício ou vocativos de correio formal, pode aparecer apenas Senhor Costa.
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Quando o possessivo aparece sem artigo
Há contextos em que o artigo não faz parte da estrutura.
| Contexto | Exemplo |
|---|---|
| possessivo depois de ser | Este casaco é meu. |
| vocativo | Meu amigo, entra! |
| artigo indefinido | Encontrei um amigo meu. |
| demonstrativo | Gosto deste teu projeto. |
| expressão cristalizada ou formal | Em minha opinião, devemos esperar; foi por minha culpa; a meu ver, é cedo; Vossa Excelência pode entrar. |
Compara: Esta casa é minha destaca a posse; Esta casa é a minha identifica uma casa entre várias.
Fora de expressões deste tipo, omitir o artigo antes de um possessivo soa marcado em português europeu: diz normalmente o meu casaco, não apenas meu casaco.
As expressões da tabela são fórmulas cristalizadas ou de registo formal: memoriza-as tal como estão. Já em minha casa é uma variante estilística de na minha casa, não uma expressão fixa.
O artigo em vez do possessivo
Com partes do corpo, roupa e objetos pessoais, o artigo definido muitas vezes substitui o possessivo quando o possuidor é claro pelo contexto: Parti o braço; tirei o casaco; lavei as mãos. Dizer Parti o meu braço é possível, mas soa marcado sem um contraste especial. Se a ação afeta outra pessoa, indica-a com um pronome: Parti-lhe o braço.
Variação e escolhas de registo
No português europeu, o artigo antes do possessivo é quase sempre a escolha neutra: O meu pai chegou. No português do Brasil, a presença do artigo varia mais: Meu pai chegou e O meu pai chegou podem ser naturais conforme a região e o contexto.
O artigo com nomes de pessoas também varia. A Ana chegou é muito corrente em Portugal, mas Ana chegou não é incorreto e pode soar mais formal ou corresponder ao uso de outra região.
Resumo prático
- Antes de possessivo + nome, usa normalmente o/a/os/as em português europeu.
- Mantém esse artigo com parentesco: a minha irmã.
- Em contexto familiar, espera o João / a Ana.
- Omite o artigo no predicativo é meu, em vocativos e em certas expressões.
- Para partes do corpo, roupa e objetos pessoais, usa muitas vezes só o artigo definido quando o possuidor é claro: Parti o braço; tirei o casaco.
- Considera a variedade e o registo antes de corrigir uma omissão possível.
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Last updated October 11, 2026