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Imperfeito do subjuntivo em fórmulas de cortesia e desejo

Aprende a formar o imperfeito do subjuntivo, a partir do pretérito perfeito, e a usá-lo em fórmulas de cortesia e desejo em português.

Forma e valor de distância

Nesta página, imperfeito do conjuntivo (designação corrente no português europeu) e imperfeito do subjuntivo (também usada no português do Brasil e no título) referem-se à mesma forma verbal.

No português europeu, a designação corrente é imperfeito do conjuntivo; subjuntivo é uma designação equivalente, muito usada no português do Brasil. O imperfeito do conjuntivo forma-se a partir da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo. Retira-se -ram e acrescentam-se as terminações -sse, -sses, -sse, -ssemos, -sseis, -ssem. Na primeira e na segunda pessoas do plural, a vogal antes de -ssemos e -sseis recebe sempre acento: falássemos, falásseis; tivéssemos, tivésseis; fôssemos, fôsseis.

Pretérito perfeito Base Imperfeito do conjuntivo
falaram fala- falasse
tiveram tive- tivesse
disseram disse- dissesse
fizeram fize- fizesse
foram fo- fosse
Pessoa falar ter ser
eu / ele / ela falasse tivesse fosse
tu falasses tivesses fosses
nós falássemos tivéssemos fôssemos
vós falásseis tivésseis fôsseis
eles / elas falassem tivessem fossem

As formas de vós são hoje raras na comunicação quotidiana, mas mantêm-se em algumas variedades regionais e em registos literários, religiosos ou solenes.

O nome imperfeito não significa que a situação esteja sempre no passado. A forma pode localizar uma situação em relação a um momento passado, mas também pode criar distância modal: torna um pedido menos direto ou um desejo mais remoto.

Para recuperar uma base irregular, pensa na forma em -ram: vieram → viesse; puseram → pusesse; trouxeram → trouxesse.

Passado temporal e distância modal

O contexto indica se o imperfeito tem valor temporal, hipotético ou interpessoal.

Exemplo Valor principal
Pedi que ela viesse cedo. situação posterior a um pedido passado
Queria que ela viesse amanhã. desejo atual apresentado com cortesia ou distância
Se ela viesse amanhã, resolveríamos o problema. hipótese futura remota
Quem me dera que ela estivesse aqui. desejo contrário à situação presente

Em Pedi que viesse, a concordância temporal com o passado é central. Em Queria que viesse amanhã, o advérbio mostra que a vinda é futura; o imperfeito serve para afastar o pedido do presente imediato e reduzir a sua imposição.

Compara uma condição futura aberta com uma hipótese mais remota: Se ela vier amanhã, resolvemos o problema. / Se ela viesse amanhã, resolveríamos o problema. O futuro do conjuntivo apresenta a vinda como possível; o imperfeito do conjuntivo torna-a menos provável ou mais hipotética.

Também usamos como se + imperfeito do conjuntivo para apresentar uma comparação como não assumida: Fala como se soubesse tudo.; Tratou-me como se não me conhecesse.

Contextos que introduzem o conjuntivo

O imperfeito do conjuntivo não aparece por si só: a construção e o sentido indicam quando é necessário. Entre os indutores mais frequentes estão:

Indutor Exemplo com imperfeito do conjuntivo
verbos de vontade ou pedido Queria que me enviasse o formulário.
condição com se Se pudesse, ajudava-te.
comparação com como se Falava como se soubesse a resposta.
desejo com oxalá ou quem me dera Oxalá ele viesse. / Quem me dera que viesse.
concessão ou finalidade, conforme o contexto Embora estivesse cansado, ficou. / Trouxe o mapa para que não nos perdêssemos.
expressão impessoal Era importante que todos participassem.

O imperfeito não torna uma frase cortês sozinho. A relação entre os interlocutores, a entoação, a justificação e expressões como por favor continuam a determinar o efeito do pedido.

Pedidos com querer, gostar e poder

No português europeu, queria e gostava são formas correntes para introduzir pedidos. Esses verbos estão no imperfeito do indicativo; é a oração iniciada por que que contém o imperfeito do conjuntivo.

Grau de distância Exemplo
pedido direto Quero que me envie o formulário.
pedido atenuado Queria que me enviasse o formulário.
preferência cortês Gostava que me enviasse o formulário.
formulação condicional Gostaria que me enviasse o formulário.
condição cortês Se pudesse enviar-me o formulário, agradecia.

Esta escala mostra graus de distância, não uma regra segundo a qual mais distância é sempre melhor. Retoma-a na secção Adequar o grau de cortesia para escolheres uma formulação proporcional à situação.

Queria um café, por favor também é um pedido atenuado, mas não contém conjuntivo: queria é imperfeito do indicativo e um café é um grupo nominal.

Com se pudesse, o pedido é apresentado como uma condição cuja realização depende do interlocutor. A oração pode completar-se com agradecia ou ficava-lhe grato: Se pudesse confirmar a data, agradecia. Isolada — Se pudesse confirmar a data… — funciona como pedido sobretudo pela entoação e pelo contexto.

Gostava que me confirmasse a receção do documento.

Gostava afasta a vontade do presente direto; confirmasse depende desse enquadramento modal. A frase é cortês sem fingir que o pedido pertence ao passado.

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A base do imperfeito do subjuntivo obtém-se da terceira pessoa plural do pretérito perfeito, retirando .

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Desejos abertos, remotos e contrafactuais

O tempo escolhido mostra quão realizável é o desejo e a que período ele se refere.

A escala combina dois critérios: quanto mais difícil ou contrário à realidade é o desejo, maior é a distância modal; além disso, uma situação passada já concluída pede uma forma composta. Este critério também ajuda a interpretar outras fórmulas: mesmo que e nem que avaliam uma possibilidade no contexto, enquanto se ao menos tivesse... orienta o lamento para um passado concluído.

Forma Perspetiva
Espero que ele venha. expectativa considerada realizável
Oxalá ele venha. desejo aberto sobre o presente ou o futuro
Oxalá ele viesse. desejo remoto ou difícil de realizar
Quem me dera que ele viesse. desejo intenso, frequentemente contrário à realidade atual
Se ao menos ele estivesse aqui! lamento sobre o presente
Oxalá ele tivesse vindo. desejo contrafactual sobre um passado concluído

Para lamentar uma situação passada já irreversível, usa-se normalmente o mais-que-perfeito composto do conjuntivo: Quem me dera que tivesse aceitado a proposta. O simples aceitasse pode orientar o desejo para o presente, o futuro ou uma situação simultânea a outro momento passado; não marca sozinho um passado concluído.

Concordância, tratamento e variedade

A pessoa verbal da subordinada deve corresponder ao tratamento escolhido.

  • Gostava que me ajudasses. — destinatário tratado por tu;
  • Gostava que me ajudasse. — tratamento de terceira pessoa;
  • Gostava que me ajudassem. — vários destinatários;
  • Queria que nos dissesses a verdade. — tu como sujeito de dissesses;
  • Queria que nos dissessem a verdade. — vocês ou outras formas plurais de terceira pessoa.

Em português europeu, que exige a colocação do clítico antes do verbo: queria que me enviasse, não que enviasse-me. No português brasileiro, gostaria que você me enviasse é uma formulação corrente; a preferência por gostaria ou gostava, a expressão do sujeito e o sistema de clíticos variam.

Não mistures a oração atenuadora com um indicativo subordinado: Queria que me enviasse, e não Queria que me envia. Se não houver mudança de sujeito, o infinitivo pode ser mais simples: Gostava de receber uma resposta.

Agradecia que enviasse o documento é uma fórmula possível, mas pode soar como se o cumprimento já fosse esperado. Em situações delicadas, acrescenta contexto, prazo e margem real de resposta em vez de dependeres apenas do imperfeito.

Adequar o grau de cortesia

O excesso de distância pode tornar um pedido vago, burocrático ou arcaizante. Compara soluções adequadas a diferentes situações:

Situação Formulação possível
entre colegas próximos Podes enviar-me o ficheiro, por favor?
correio profissional Gostava que me enviasse o ficheiro até sexta-feira, se possível.
pedido com margem de recusa Se pudesse rever o texto esta semana, agradecia; caso não seja possível, ajustamos o prazo.
desejo remoto Quem me dera que o projeto estivesse concluído.
lamento passado Oxalá tivéssemos começado mais cedo.

Antes de usares o imperfeito do conjuntivo, confirma se:

  1. existe uma oração ou construção que legitima o conjuntivo;
  2. a forma expressa sequência temporal, hipótese, cortesia ou desejo remoto;
  3. a pessoa verbal corresponde a tu, terceira pessoa ou plural;
  4. um desejo passado concluído exige tivesse + particípio;
  5. o pedido deixa claros a ação, o prazo e a possibilidade de resposta;
  6. a distância escolhida combina com a relação entre os interlocutores.

Em síntese, o imperfeito do conjuntivo pode afastar uma situação no tempo, na probabilidade ou na relação interpessoal. A cortesia nasce desse afastamento combinado com um pedido claro e adequado ao contexto.

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Last updated October 11, 2026