Infinitivo pessoal com sujeito expresso
Aprende a usar o infinitivo pessoal, ou flexionado, para identificar o sujeito de uma oração sem a transformar numa oração finita.
Um infinitivo com pessoa
O infinitivo pessoal, ou flexionado, permite identificar o sujeito sem transformar a oração numa oração finita. Recorda as terminações: falar, falares, falar, falarmos, falardes, falarem. Nesta lição, o foco é escolher essa forma em contextos em que há mais de uma possibilidade.
Sujeitos diferentes
O infinitivo pessoal é especialmente útil quando a oração principal e a infinitiva têm sujeitos diferentes.
Eu preparei a sala para os convidados chegarem cedo.
Sujeito de preparei: eu.
Sujeito de chegarem: os convidados.
Outros contextos frequentes são:
- Antes de tu saíres, fecha as janelas.
- É importante nós confirmarmos os dados.
- Ela saiu sem os colegas perceberem.
- Trouxe os documentos para vocês verificarem.
Quando o sujeito plural está expresso, o verbo concorda com ele: para os técnicos verificarem, não para os técnicos verificar.
Em construções nominais
O infinitivo pessoal também pode completar um nome e tornar explícito quem realiza a ação:
- O facto de eles chegarem tarde preocupou-nos.
- A hipótese de os dados estarem errados exige uma verificação.
- A possibilidade de nós desistirmos não foi discutida.
Eu e tu, não mim e ti
O pronome que executa a ação do infinitivo está na forma de sujeito: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas.
| Sujeito do infinitivo | mim/ti como complemento da preposição |
|---|---|
| Este trabalho é para eu fazer. | Este trabalho é para mim. |
| Era melhor tu ficares aqui. | Trouxe isto para ti. |
Não uses para mim fazer quando mim é quem faz. Diz para eu fazer. Em Este presente é para mim, não há verbo cujo sujeito seja mim.
Em português europeu, a forma de referência é para eu fazer / para tu ficares. No Brasil, para mim fazer é frequente na oralidade popular, mas está fora da norma escrita nas duas variedades. Usa eu/tu quando o pronome é o sujeito do infinitivo.
Com sequências como de + artigo, podes ouvir ou ler a contração: antes da reunião começar. Na escrita cuidada, quando o grupo nominal é sujeito do infinitivo, recomenda-se manter os elementos separados: antes de a reunião começar; apesar de os alunos estarem cansados.
Sujeito igual ao da oração principal
Quando as duas ações têm o mesmo sujeito, o infinitivo não flexionado é geralmente a escolha mais neutra.
- Ficámos em casa para estudar.
- Saíram sem fazer barulho.
- Cheguei cedo para preparar a sala.
A flexão pode, contudo, destacar o grupo ou evitar ambiguidade. Compara:
- O diretor falou com os professores antes de sair. — a saída pode ser entendida como sendo a do diretor.
- O diretor falou com os professores antes de saírem. — são os professores que saem.
Em Chegámos cedo para prepararmos a sala, a flexão também dá relevo ao grupo. A escolha nem sempre obedece a uma regra absoluta; clareza, ênfase e estilo também contam.
Se o sujeito da infinitiva for diferente e estiver expresso, faz a concordância. Se for o mesmo, começa pela forma não flexionada e flexiona apenas quando houver uma razão clara.
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Auxiliares e complexos verbais
Depois de um auxiliar temporal, modal ou aspetual, o infinitivo permanece invariável porque os verbos formam um só complexo.
- Nós podemos sair, não podemos sairmos.
- Eles vão chegar, não vão chegarem.
- Começámos a trabalhar, não começámos a trabalharmos.
Esta regra distingue Nós queremos sair, em que querer + infinitivo partilha normalmente o sujeito, de uma oração finita com outro sujeito.
Infinitivo ou conjuntivo nas orações dependentes
Quando o sujeito é identificável e a relação é mais compacta, o infinitivo pessoal é muitas vezes a opção natural. O conjuntivo apresenta a ação como uma oração finita e é frequente quando se quer dar mais autonomia, ênfase ou valor de condição à situação.
| Com infinitivo pessoal | Com conjuntivo | Tendência de uso |
|---|---|---|
| Saímos cedo para eles chegarem a tempo. | Saímos cedo para que eles cheguem a tempo. | O infinitivo é mais direto; para que + conjuntivo realça a finalidade. |
| Antes de eles chegarem, fechámos a loja. | Antes que eles chegassem, fechámos a loja. | O infinitivo é comum quando o sujeito está claro; antes que introduz uma oração finita. |
| Apesar de termos perdido o comboio, chegámos a horas. | Embora tenhamos perdido o comboio, chegámos a horas. | As duas construções exprimem concessão; embora + conjuntivo é mais explicitamente oracional. |
Não se trata de trocar uma estrutura pela outra mecanicamente: escolhe a que dá ao sujeito e à relação entre as ações o destaque de que precisas.
Causativos e verbos de perceção
Com verbos como mandar, deixar, fazer, ver e ouvir, as duas formas podem ser possíveis quando o sujeito do infinitivo é expresso. A forma não flexionada aproxima os verbos num complexo; a flexionada destaca o sujeito da ação.
Mandei os alunos sair. / Mandei os alunos saírem.
Na primeira frase, a ordem é apresentada de forma mais compacta. Na segunda, os alunos fica mais saliente como sujeito de saírem.
O mesmo contraste surge com a perceção: Vi as crianças correr. / Vi as crianças correrem. Quando o sujeito é um pronome átono ligado ao verbo principal, usa-se normalmente a forma não flexionada: Deixei-os entrar, não Deixei-os entrarem. Com um grupo nominal expresso, a flexão é possível: Deixei os miúdos entrarem.
Negação e infinitivo composto
A negação surge antes do infinitivo: para eles não chegarem tarde. Com verbo pronominal, é natural colocar o pronome antes do infinitivo flexionado: antes de eles se irem embora.
Para indicar anterioridade, usamos ter + particípio, flexionando o auxiliar:
- Obrigado por teres vindo.
- Apesar de termos perdido o comboio, chegámos a horas.
- Ela ficou surpreendida por eles terem terminado tão cedo.
O infinitivo pessoal torna explícito quem realiza a ação e preserva uma estrutura compacta. A flexão é um recurso de precisão, não uma obrigação em todas as orações com infinitivo.
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Last updated October 11, 2026