Futuro do subjuntivo e infinitivo pessoal
Porque é fácil confundir as duas formas
Nos verbos regulares, o futuro do conjuntivo e o infinitivo pessoal têm exatamente as mesmas formas visÃveis.
| Pessoa | Futuro do conjuntivo | Infinitivo pessoal |
|---|---|---|
| eu / ele | quando falar | para falar |
| tu | quando falares | para falares |
| nós | quando falarmos | para falarmos |
| eles | quando falarem | para falarem |
A forma isolada falarmos não permite identificar a análise. É a estrutura que a introduz — quando falarmos ou antes de falarmos — que resolve a diferença.
Depois de terminares, envia o ficheiro. — infinitivo pessoal depois da locução depois de.
Quando terminares, envia o ficheiro. — futuro do conjuntivo numa oração temporal eventual.
Duas identidades gramaticais
Apesar da semelhança, pertencem a paradigmas diferentes.
| Critério | Futuro do conjuntivo | Infinitivo pessoal |
|---|---|---|
| tipo de forma | finita: tempo e modo | não finita: sem tempo próprio |
| base morfológica | forma do pretérito perfeito plural sem -am | infinitivo |
| valor central | eventualidade futura | ação com sujeito próprio |
| contexto tÃpico | se, quando, assim que, relativo | preposição ou expressão impessoal |
O infinitivo pessoal recebe a localização temporal do contexto: Depois de chegarem ontem, telefonaram refere-se ao passado; Antes de chegarem amanhã, telefona-lhes refere-se ao futuro. Já o futuro do conjuntivo marca diretamente uma eventualidade projetada.
O conector revela a construção
Conjunções temporais e condicionais favorecem o futuro do conjuntivo quando a situação é futura e ainda eventual.
- se tiveres tempo;
- quando fizerem o pagamento;
- assim que soubermos o resultado;
- logo que o diretor vier;
- quem chegar primeiro;
- o documento que receberes amanhã.
O infinitivo pessoal aparece frequentemente depois de preposições e locuções prepositivas ou como sujeito de uma expressão impessoal.
- para fazeres o pagamento;
- antes de saberem o resultado;
- sem dizeres nada;
- apesar de termos pouco tempo;
- É importante eles virem cedo.
Não escolha pelo significado de futuro: antes de fazeres isso amanhã refere-se ao futuro, mas continua a ser infinitivo pessoal porque aparece depois de antes de.
O teste do verbo irregular
Quando um verbo regular for ambÃguo, substitua-o mentalmente por fazer, ter, dar ou ir. Nestes verbos, as formas diferem.
| Contexto original | Teste irregular | Diagnóstico |
|---|---|---|
| quando estudarem | quando fizerem | futuro do conjuntivo |
| depois de estudarem | depois de fazerem | infinitivo pessoal |
| se chegarmos | se tivermos tempo | futuro do conjuntivo |
| para chegarmos cedo | para termos tempo | infinitivo pessoal |
| os colegas que colaborarem | os colegas que derem ajuda | futuro do conjuntivo |
| por eles colaborarem | por eles darem ajuda | infinitivo pessoal |
O teste não altera o sentido exato da frase; serve apenas para tornar visÃvel o paradigma. Se surge fizer/tiver/der, é futuro do conjuntivo; se surge fazer/ter/dar, é infinitivo.
Ver, vir, ser e ir
Alguns contrastes exigem atenção especial.
| Verbo | Futuro do conjuntivo | Infinitivo pessoal |
|---|---|---|
| ver | quando vires | para veres |
| vir | quando vieres | antes de vires |
| ser | se fores responsável | por seres responsável |
| ir | quando fores a Faro | antes de ires a Faro |
Fores pode pertencer a ser ou ir; o complemento esclarece o sentido. Compare também quando vires a Ana, do verbo ver, e quando vieres a Lisboa, do verbo vir.
Depois de quando ou se com valor futuro, não use o infinitivo do verbo irregular: quando fazeres e se veres não são as formas do padrão europeu. Use quando fizeres e se vires.
O sujeito não resolve tudo
As duas formas podem ter sujeito expresso ou indicado pela terminação.
- Quando nós fizermos o relatório, avisamos. — futuro do conjuntivo;
- É melhor nós fazermos o relatório hoje. — infinitivo pessoal;
- Se eles vierem, começamos. — futuro do conjuntivo;
- Foi útil eles virem mais cedo. — infinitivo pessoal.
Por isso, a presença de nós ou eles não basta. É necessário identificar se existe uma oração finita eventual ou uma construção não finita com sujeito próprio.
Um diagnóstico em cinco passos
- procure a palavra ou expressão que introduz a forma verbal;
- identifique uma condição, um momento futuro ou uma relativa eventual;
- procure uma preposição como para, de, sem, por;
- substitua o verbo por fazer ou ter;
- confirme se a forma tem tempo próprio ou recebe o tempo do contexto.
Em sÃntese, quando fizermos é futuro do conjuntivo porque apresenta uma eventualidade futura; antes de fazermos é infinitivo pessoal porque depende da preposição de. A semelhança dos verbos regulares esconde a diferença, mas o conector e o teste irregular tornam-na visÃvel.
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Vocabulary in this lesson
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Last updated July 20, 2026