Sujeito depois do verbo em contextos frequentes
Duas ordens possíveis
Em português, o sujeito costuma aparecer antes do verbo, mas pode surgir depois dele. A ordem escolhida depende do tipo de verbo, do contexto e da informação que queremos destacar.
| Sujeito antes do verbo | Sujeito depois do verbo |
|---|---|
| O diretor entrou. | Entrou o diretor. |
| Dois clientes chegaram. | Chegaram dois clientes. |
A primeira ordem apresenta facilmente o sujeito como tema. A segunda destaca muitas vezes o acontecimento e introduz a pessoa ou coisa que surge nesse acontecimento.
— O que aconteceu durante a reunião?
— Entrou um funcionário e apareceu um problema no sistema.
Chegadas, aparecimentos e mudanças
A ordem verbo–sujeito é frequente com verbos que apresentam uma chegada, um aparecimento, um início ou um fim.
- Chegou o autocarro.
- Apareceram novas oportunidades.
- Começou a reunião.
- Terminou o jogo.
- Aconteceu um acidente.
Nestes exemplos, o falante concentra-se primeiro no evento. Esta ordem é especialmente natural quando o sujeito é informação nova.
Depois de um lugar ou momento
Uma expressão de lugar ou de tempo pode abrir a frase; depois aparecem o verbo e o sujeito.
Na sala estavam três candidatos.
À porta esperava uma jornalista.
Nesse momento começou a discussão.
Esta organização cria um cenário antes de apresentar quem está nele ou o que acontece. A ordem com o sujeito antes do verbo também pode ser correta, mas dirige a atenção de outra maneira: Três candidatos estavam na sala.
Perguntas e discurso direto
Com um sujeito expresso por um nome, a ordem verbo–sujeito é comum em perguntas:
- Quando chega o próximo comboio?
- Onde trabalha a tua irmã?
- Como começou o problema?
Também aparece depois de verbos que introduzem uma fala, sobretudo na escrita:
— Amanhã volto cedo — disse a Marta.
— Não se preocupem — acrescentou o médico.
Não é obrigatório inverter todas as perguntas. A ordem depende do tipo de pergunta e daquilo que já é conhecido no contexto.
A concordância mantém-se
Mesmo depois do verbo, o nome continua a ser o sujeito. Por isso, o verbo concorda com ele em número.
| Singular | Plural |
|---|---|
| Chegou o convidado. | Chegaram os convidados. |
| Falta um minuto. | Faltam dez minutos. |
| Basta uma assinatura. | Bastam duas assinaturas. |
Não confundas o sujeito posposto com um complemento direto. Em Chegaram os alunos, os alunos pratica ou protagoniza a chegada e determina o plural de chegaram.
O verbo haver existencial é uma exceção importante: dizemos Há duas cadeiras, sempre no singular, porque essa construção é impessoal.
Escolher a ordem mais natural
Usa a ordem verbo–sujeito sobretudo para:
- apresentar uma pessoa ou coisa nova;
- destacar uma chegada, um aparecimento, um início ou um fim;
- construir certas perguntas;
- identificar quem fala depois de uma citação;
- apresentar primeiro um lugar ou momento.
Lê a frase em contexto. Se a pergunta implícita for «O que aconteceu?», é natural responder Chegou uma encomenda. Se a conversa já for sobre a encomenda, A encomenda chegou pode ser mais natural.
As duas ordens podem ser gramaticais, mas não são sempre neutras. A posição final do sujeito costuma dar mais destaque à sua entrada na situação ou à informação nova que ele transmite.
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Last updated July 20, 2026