B2 · Upper IntermediatePortuguese

Verbos causativos e percetivos com infinitivo

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Causar uma ação ou percecioná-la

Os verbos causativos apresentam uma entidade que provoca, ordena ou permite uma ação. Os verbos percetivos apresentam alguém que vê, ouve ou sente essa ação.

Grupo Verbos frequentes Exemplo
causa fazer O frio fez-nos entrar.
ordem ou encargo mandar A diretora mandou verificar o sistema.
permissão deixar O segurança deixou-nos passar.
perceção ver, ouvir, sentir Ouvi os vizinhos chegar.

A música fez a criança dançar. — a música causa a dança.

A mãe viu a criança dançar. — a mãe observa a dança, mas não a causa.

Em ambos os grupos, a ação causada ou percecionada forma uma oração de infinitivo que funciona como complemento do primeiro verbo.

Dois participantes e duas situações

Estas construções não são simples tempos compostos. O sujeito do primeiro verbo e quem realiza o infinitivo podem ser diferentes.

Primeiro participante Verbo Realizador do infinitivo Ação
a diretora mandou os técnicos rever o plano
o ruído fez o bebé acordar
o professor deixou os alunos sair
nós vimos a equipa entrar

Na frase A diretora mandou os técnicos rever o plano, a diretora dá a ordem, mas são os técnicos que reveem. O grupo os técnicos rever o plano representa a situação causada.

Faça duas perguntas: “Quem causa ou percebe?” e “Quem realiza o infinitivo?”. Se as respostas forem diferentes, encontrou os dois participantes da construção.

Infinitivo não flexionado ou flexionado

O infinitivo não flexionado é muito frequente depois destes verbos, mesmo quando o seu sujeito semântico é plural.

  • Mandei os técnicos verificar o sistema.
  • Deixaram as crianças brincar no jardim.
  • Vimos os atletas entrar no estádio.
  • Ouvimos as portas bater.

Com um grupo nominal explícito, também pode ocorrer o infinitivo pessoal: Vimos os atletas entrarem; Mandei os técnicos verificarem o sistema. A flexão torna mais visível a autonomia do sujeito da oração infinitiva.

A variação depende da construção, do registo e do grau de integração entre os dois verbos. Para uma produção segura, o infinitivo não flexionado é uma opção muito corrente depois de fazer, mandar, deixar, ver, ouvir e sentir.

O participante como pronome átono

Quando o realizador do infinitivo é retomado por pronome, o pronome fica junto do verbo causativo ou percetivo. O infinitivo não flexionado é a escolha mais neutra.

Com nome Com pronome
A notícia fez a Ana sorrir. A notícia fê-la sorrir.
O diretor mandou os técnicos sair. O diretor mandou-os sair.
A professora deixou a aluna entrar. A professora deixou-a entrar.
Vi os músicos chegar. Vi-os chegar.

Não flexione automaticamente o infinitivo depois do pronome átono. Vi-os entrar e mandou-os esperar são padrões claros e naturais no português europeu.

As regras que colocam o pronome antes ou depois do verbo principal continuam a aplicar-se: Não os vimos entrar. O pronome mantém a sua relação semântica com a ação do infinitivo.

Perceber o evento inteiro ou em curso

Com ver e ouvir, o português europeu permite contrastar o infinitivo simples com a + infinitivo.

Construção Perspetiva Exemplo
ver/ouvir + infinitivo evento tomado como unidade Vi a Ana atravessar a rua.
ver/ouvir + a + infinitivo ação observada em desenvolvimento Vi a Ana a atravessar a rua.
pronome + infinitivo evento Ouvi-os discutir.
pronome + a + infinitivo processo em curso Ouvi-os a discutir.

A diferença não é sempre rígida, mas a + infinitivo aproxima a perceção de uma cena em progresso. Esta construção não se estende da mesma forma aos causativos: mandar alguém atravessar não equivale a mandar alguém a atravessar.

Perceção direta ou informação

O infinitivo apresenta normalmente perceção direta da situação. Uma oração com que pode apresentar o conteúdo como facto inferido ou informação adquirida.

  • Vi a Marta sair. — observei a saída;
  • Vi que a Marta tinha saído. — constatei o resultado ou compreendi o facto;
  • Ouvi o Rui cantar. — percecionei a voz;
  • Ouvi dizer que o Rui vai cantar. — recebi essa informação de outras pessoas.

Esta diferença explica por que ver alguém fazer não é uma simples forma abreviada de ver que alguém fez.

Realizador omitido e revisão

Com mandar e fazer, o realizador pode ficar implícito quando interessa sobretudo o serviço ou o resultado.

  • Mandei reparar o computador. — alguém o reparou por minha indicação;
  • A empresa fez construir um novo armazém. — a empresa causou a construção;
  • Mandámos entregar as encomendas de manhã. — o serviço de entrega realizou a ação.

Para rever a construção:

  1. identifique causa, ordem, permissão ou perceção;
  2. localize quem realiza o infinitivo;
  3. escolha uma forma flexionada apenas quando quiser realçar o sujeito nominal;
  4. com pronome átono, prefira o infinitivo não flexionado;
  5. distinga perceção direta de informação com que.

Em síntese, fê-los sair causa a saída; viu-os sair perceciona-a; viu-os a sair destaca o processo. A estrutura é compacta, mas contém dois participantes e duas relações semânticas.

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Last updated July 20, 2026

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