C2 · ProficientPortuguese

Infinitivo pessoal em contextos de aceitabilidade variável

By the flumi team About 7 min read Practice exercises

A aceitabilidade forma um contínuo

O infinitivo pessoal pode ter sujeito próprio e, no plural, mostrar terminações: para nós sairmos, antes de eles chegarem. Contudo, a oposição entre forma flexionada e não flexionada não é decidida por uma única regra. Há casos estáveis, alternâncias com diferença de perspetiva e contextos sobre os quais os falantes divergem.

Zona Exemplo Diagnóstico
flexão claramente motivada Saí antes de os técnicos chegarem. sujeito expresso diferente do da principal
forma simples estável Nós podemos sair. complexo modal, sem oração pessoal autónoma
alternância ampla Saímos para resolver/resolvermos o problema. mesmo sujeito, com graus diferentes de autonomia
juízo variável Foram os primeiros a chegar/chegarem. competição entre estrutura fixa e concordância com o plural

“Atestado”, “aceitável para alguns falantes” e “recomendável num texto formal” não são sinónimos. A análise C2 mantém estes níveis separados.

Casos claros e falsos diagnósticos

Com sujeito expresso, a oração infinitiva é claramente pessoal: É importante tu participares; A hipótese de os dados estarem errados foi considerada. Na primeira e na terceira pessoas do singular, não há terminação especial: para eu sair e antes de ela chegar continuam a conter infinitivo pessoal.

Em contrapartida, um sujeito plural na oração principal não licencia flexão dentro de um complexo verbal:

  • Nós queremos participar, não queremos participarmos;
  • Podemos rever o texto, não podemos revermos;
  • Começámos a trabalhar, não começámos a trabalharmos;
  • Temos de sair, não temos de sairmos.

Aqui, querer, poder, começar a e ter de criam dependências estreitas. A terminação de plural no primeiro verbo já codifica o sujeito do complexo.

Não identifique infinitivo pessoal apenas pela presença de nós ou eles na frase. Delimite primeiro a oração a que esse sujeito pertence.

Mesmo sujeito, duas perspetivas

Numa oração adverbial com o mesmo sujeito da principal, as duas formas são muitas vezes possíveis:

Revimos os dados antes de publicar o relatório.

Revimos os dados antes de publicarmos o relatório.

A forma simples favorece integração e continuidade entre as ações. A flexão torna o agente visível dentro da subordinada e pode ganhar naturalidade com contraste, distância ou coordenação:

  • Nós ficámos para tratarmos da sala; eles saíram para receberem os convidados.
  • Os técnicos reuniram-se, depois de várias reuniões e dois pareceres contraditórios, para alterarem o protocolo.
  • Apesar de reconhecermos as limitações, mantemos a conclusão.

No segundo exemplo, para alterar continua disponível. A distância entre os técnicos e o infinitivo pode, contudo, tornar informativa a marca de plural. Em construções de controlo estreito, a situação é diferente: prefere-se os técnicos decidiram alterar, sem flexionar o segundo verbo.

Quando as duas formas forem possíveis, compare o período completo. Distância, contraste e paralelismo podem tornar informativa uma flexão que seria pesada numa frase curta.

Nomes, adjetivos e sequências ambíguas

Depois de um nome, a relação entre o grupo nominal e o infinitivo nem sempre é transparente:

Construção Leitura favorecida
Os alunos têm oportunidade de consultar o arquivo. atividade disponível aos alunos, formulação compacta
Os alunos têm oportunidade de consultarem o arquivo. alunos apresentados explicitamente como sujeitos da consulta
A oportunidade de os alunos consultarem o arquivo sujeito expresso dentro da oração infinitiva

Com sequências como os primeiros a chegar, os únicos a responder ou difíceis de convencer, a forma simples está fortemente estabelecida. Surgem, porém, flexões como os primeiros a chegarem, sobretudo quando o plural é reinterpretado como sujeito autónomo. A aceitação varia entre falantes e contextos.

Em problemas difíceis de resolver, problemas é aquilo que se resolve, não o agente da resolução; problemas difíceis de resolverem altera indevidamente a relação. A proximidade de um plural não basta para desencadear flexão.

Causativos e percetivos

Depois de ver, ouvir, sentir, fazer, mandar e deixar, coexistem estruturas com graus diferentes de integração:

  • Ouvi os músicos tocar.
  • Ouvi os músicos tocarem.
  • Ouvi-os tocar.

Com um grupo nominal, o PE admite infinitivo simples e flexionado; a preferência varia segundo o verbo, a leitura do evento e o falante. Com clítico no verbo principal, ouvi-os tocar é a solução neutra, enquanto ouvi-os tocarem é fortemente rejeitada por muitos falantes porque combina integração pronominal com flexão autónoma.

O português brasileiro (PB) também apresenta alternância, mas dispõe de estratégias pronominais diferentes: vi eles entrarem ocorre em registos correntes, ao passo que a escrita monitorizada pode preferir vi-os entrar, vi que eles entraram ou outra construção. Não se deve transferir diretamente o juízo de uma estrutura nominal para uma estrutura pronominal.

Os verbos percetivos admitem várias análises e leituras: perceção do evento inteiro, processo em curso ou constatação de um facto. Parte da oscilação morfológica acompanha esta diversidade estrutural.

Variedade, frequência e processamento

O infinitivo pessoal existe no PE e no PB, mas a frequência de cada construção, a norma ensinada e os juízos individuais não são idênticos. Também há diversidade nas variedades africanas e em situações de contacto; “português pluricêntrico” não implica uma escala única de aceitabilidade.

Vários fatores interferem num julgamento:

  1. sujeito expresso ou apenas recuperado;
  2. identidade ou contraste entre os sujeitos;
  3. distância entre controlador e infinitivo;
  4. preposição e tipo de oração subordinada;
  5. grau de integração semântica com o verbo principal;
  6. forma nominal ou pronominal do participante;
  7. registo, frequência e exposição do falante.

Uma frase isolada pode receber avaliações instáveis porque lhe falta o contexto que estabelece contraste ou referência. Antes de marcar uma variante como impossível, teste-a num parágrafo e com mais de um falante da variedade relevante.

Decidir numa revisão formal

Num texto de referência europeia, siga uma hierarquia de decisão:

  • use flexão quando há sujeito próprio plural: antes de os convidados chegarem;
  • mantenha a forma simples em auxiliares, modais e controlos estreitos: podemos sair, queremos participar;
  • em adverbiais correferenciais, escolha a flexão apenas se clarificar ou contrastar o agente;
  • com percetivos e causativos, considere a forma do participante e o grau de integração;
  • em contextos disputados, prefira a solução mais transparente para o público;
  • se a referência continuar ambígua, use uma oração finita.

Ambíguo: A Marta falou com a Joana antes de sair.

Sujeito Marta: A Marta, antes de sair, falou com a Joana.

Sujeito Joana: A Marta falou com a Joana antes de a Joana sair.

O infinitivo pessoal não é concordância ornamental. Torna um sujeito acessível dentro de uma oração não finita; quando essa autonomia compete com uma ligação estrutural forte, nasce a variabilidade.

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Last updated July 20, 2026

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