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Sujeito e controlo nas orações infinitivas

By the flumi team About 7 min read Practice exercises

Um sujeito que nem sempre aparece

Uma oração infinitiva pode não apresentar sujeito expresso e, ainda assim, ser interpretada com um participante definido.

A Leonor prometeu ao Rui telefonar à noite.

Quem telefona é a Leonor, não o Rui. Diz-se que o sujeito de prometeu controla o sujeito não expresso de telefonar. A proximidade linear não decide a referência; contam o verbo principal, a estrutura e o significado.

O controlo responde à pergunta quem realiza o infinitivo?. É distinto da questão morfológica de usar ou não uma terminação pessoal.

Controlo pelo sujeito

Certos verbos associam normalmente o sujeito da oração principal ao sujeito do infinitivo.

Frase Sujeito de ambos os predicados
A Ana tentou abrir a porta. a Ana tenta; a Ana abre
Os técnicos decidiram repetir o teste. os técnicos decidem; os técnicos repetem
Prometemos ao cliente responder hoje. nós prometemos; nós respondemos
A Marta conseguiu terminar a tempo. a Marta consegue; a Marta termina

Verbos como querer, tentar, conseguir, decidir e prometer favorecem este padrão. Em A Marta prometeu ao João sair cedo, ao João é destinatário da promessa; não passa a ser o sujeito de sair.

Não escolhas o referente por ser o nome mais próximo. Com prometer, o sujeito controla o infinitivo: A diretora prometeu aos técnicos rever o plano significa que a diretora o reverá.

Controlo por um complemento

Outros verbos fazem com que um complemento da oração principal seja interpretado como sujeito do infinitivo.

Frase Quem realiza o infinitivo?
A diretora obrigou os técnicos a rever o plano. os técnicos
A médica proibiu o doente de conduzir. o doente
O professor ensinou os alunos a usar o programa. os alunos
Disse ao Rui para fechar a janela. o Rui

As preposições fazem parte da construção selecionada: obrigar alguém a, proibir alguém de, ensinar alguém a, dizer a alguém para. O tipo de controlo é uma propriedade lexical e sintática do verbo, não uma preferência geral por sujeito ou complemento.

A Leonor prometeu ao Rui sair. — a Leonor sai: controlo pelo sujeito.

A Leonor autorizou o Rui a sair. — o Rui sai: controlo pelo complemento.

A posição dos participantes é semelhante, mas o verbo principal estabelece relações diferentes.

Graus de dependência do contexto

Nem todas as construções estabelecem a referência com o mesmo grau de rigidez.

  • O diretor falou com o assessor antes de sair liga normalmente sair ao diretor; para atribuir a ação ao assessor, escreve-se antes de o assessor sair;
  • A Marta pediu à Joana para sair mais cedo pode significar que a Marta pediu autorização para ela própria sair ou que pediu à Joana que saísse;
  • O Rui trouxe o relatório para discutir na reunião pode deixar implícito se ele ou um grupo mais amplo o discutirá.

Nestes casos, explicita o sujeito ou reformula: antes de o assessor sair; pediu à Joana autorização para ela própria sair; para a equipa discutir na reunião.

Se uma oração infinitiva admitir dois controladores plausíveis, não esperes que a flexão resolva tudo. Dois antecedentes plurais continuam ambíguos em antes de saírem. Nomeia o participante.

Sujeito próprio e referência arbitrária

Nem todo o sujeito de infinitivo é controlado por um argumento da oração principal.

Tipo Exemplo Interpretação
sujeito próprio expresso Saí antes de os convidados chegarem. os convidados chegam
sujeito próprio implícito na flexão É melhor sairmos agora. nós saímos
referência genérica Viajar sozinho exige prudência. qualquer pessoa que viaje
referência contextual É importante verificar os dados. as pessoas responsáveis no contexto

Na referência arbitrária, o sujeito não corresponde obrigatoriamente a uma expressão anterior; recebe uma leitura genérica ou institucional. É proibido fumar aplica-se a qualquer pessoa abrangida pela regra.

Um infinitivo flexionado pode ainda ter o mesmo referente da oração principal — saímos cedo para apanharmos o comboio. Portanto, flexão e controlo interagem, mas não são a mesma relação.

Controlo ou elevação

Com verbos de controlo, o sujeito participa semanticamente nas duas situações: em A Ana tentou sair, ela é quem tenta e quem sai.

Com parecer, o sujeito pertence semanticamente sobretudo à oração infinitiva:

  • A Ana parece estar cansada — a Ana está cansada; parecer apresenta essa avaliação;
  • Os dados parecem confirmar a hipótese — os dados confirmam; a confirmação é apresentada como aparente;
  • Parece haver um erro — não é necessário introduzir uma pessoa ou coisa que “pareça”.

Este padrão chama-se elevação. O teste com haver ajuda: parece haver é possível, mas a Ana tentou haver um erro não é uma estrutura paralela. Distinguir elevação de controlo evita atribuir ao sujeito um papel que o verbo principal não lhe dá.

Para produzir frases claras, não é necessário dominar toda a análise formal da elevação. Basta reconhecer que parecer não seleciona um agente que decida ou tente realizar o infinitivo.

Causativos, percetivos e pronomes

Em Vimos os atletas entrar e mandámos os técnicos sair, os grupos os atletas e os técnicos são interpretados como sujeitos das ações infinitivas, embora integrem o complemento dos verbos principal.

Com pronome átono, essa relação continua:

  • Vimo-los entrareles entram;
  • Mandámo-los saireles saem;
  • Deixaram-nos esperarnós esperamos.

O caso do pronome e a posição junto do primeiro verbo não mudam quem realiza a ação encaixada. Estas construções têm integração mais forte do que para eles entrarem e favorecem o infinitivo não flexionado no português europeu.

Diagnosticar a referência

Segue este percurso:

  1. coloca entre parênteses a oração infinitiva;
  2. procura um sujeito expresso ou uma terminação pessoal dentro dela;
  3. se o sujeito for nulo, identifica os participantes exigidos pelo verbo principal;
  4. testa se o verbo controla pelo sujeito ou por um complemento;
  5. considera uma leitura genérica ou dependente do contexto;
  6. distingue controlo de elevação com verbos como parecer;
  7. cria uma paráfrase finita e confirma quem pratica cada ação;
  8. explicita o sujeito se restarem duas leituras.

Assim, prometeu sair retoma quem promete; obrigou-o a sair atribui a saída ao complemento; é importante sair deixa o agente genérico ou contextual. O diagnóstico parte da arquitetura da frase, não da palavra mais próxima.

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Last updated July 20, 2026

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